A Câmara Municipal de Valongo solicitou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a realização de uma inspeção técnica urgente ao aterro da Recivalongo, localizado na freguesia de Sobrado. O pedido surge na sequência de um incêndio que deflagrou no local no passado domingo, levantando fortes preocupações ao executivo liderado por Paulo Esteves Ferreira.

No email enviado à APA, a autarquia manifestou apreensão relativamente aos “potenciais efeitos ambientais decorrentes deste incidente”, justificando a urgência com a necessidade de salvaguardar a saúde da população envolvente e proteger os recursos naturais da região.

Autarquia quer verificar integridade das telas e risco de lixiviados

A missiva enviada ao regulador ambiental detalha um conjunto vasto de infraestruturas e sistemas de proteção que o município quer ver avaliados devido à exposição ao calor e ao fogo. A câmara entende ser essencial fiscalizar:

  • Sistemas de confinamento: O estado de conservação e a operacionalidade das telas de impermeabilização;

  • Linhas de água e solos: A integridade dos sistemas de drenagem, recolha e tratamento de lixiviados, analisando se existe risco de infiltração para os solos ou para os aquíferos subjacentes;

  • Águas de combate ao fogo: A adequação das medidas de retenção e gestão das águas utilizadas pelos bombeiros, controlando eventuais escorrências poluentes;

  • Qualidade do ar: O impacte e os efeitos resultantes da combustão dos materiais que se encontravam armazenados na instalação.

A edilidade pretende ainda aferir se a empresa operadora cumpriu todas as condições estabelecidas na sua licença ambiental e se há necessidade de aplicar medidas corretivas ou uma monitorização extraordinária pós-incidente.

Futuro do aterro em jogo: Licença expira em dezembro

O resultado desta avaliação técnica da APA poderá ter um peso decisivo no futuro da exploração em Sobrado. Segundo os dados avançados pela autarquia, a atual licença de exploração da Recivalongo vigora apenas até dezembro de 2026.

O município de Valongo defende que as conclusões desta inspeção devem ser assumidas como um elemento estritamente relevante na apreciação de uma eventual renovação, frisando que a continuidade da atividade só deverá ser equacionada perante uma “demonstração inequívoca da segurança da instalação e da sua conformidade ambiental”. A câmara solicitou que todas as conclusões e medidas aplicadas à empresa lhe sejam formalmente comunicadas.

Segundo a Lusa, até ao momento, não foi possível obter uma reação por parte da empresa Recivalongo.