O preço do gasóleo deverá sofrer um agravamento de dois cêntimos por litro a partir de amanhã, segunda-feira, enquanto a gasolina deverá registar uma descida de um cêntimo. A estimativa é avançada pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) e baseia-se na manutenção da atual tendência do mercado.
Tendo em conta os valores da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e as cotações de fecho do mercado na passada quinta-feira, o preço médio do gasóleo simples deverá fixar-se nos 2,045 euros por litro. Por sua vez, a gasolina simples 95 deverá recuar para os 2,024 euros por litro. A atualização do desconto do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) deverá, no entanto, ajudar a amenizar a subida.
A média definitiva apenas será fechada ao final do dia, podendo o custo final na bomba sofrer alterações consoante a evolução das cotações internacionais do petróleo, o posto de abastecimento, a marca e a localização. Recorde-se que o Governo tem o compromisso de aplicar uma nova redução extraordinária e temporária no ISP sempre que o aumento dos combustíveis ultrapasse os 10 cêntimos, com o objetivo de mitigar a escalada dos preços.
Governo pede avaliação à ERSE
Neste contexto de flutuações, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, solicitou à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) um estudo detalhado sobre a formação e evolução dos preços praticados nos postos de abastecimento.
O regulador recebeu o pedido a 15 de julho e tem 20 dias úteis para apresentar a análise. O objetivo passa por avaliar se os preços ao consumidor estão a acompanhar as cotações internacionais do petróleo, do gasóleo e da gasolina, bem como a rapidez com que as gasolineiras refletem as subidas e descidas. Caso se reúnam os pressupostos previstos na lei, a ministra solicitou também que a ERSE avalie uma eventual proposta de fixação excecional de margens máximas.
O impacto da geopolítica e do Médio Oriente
As recentes oscilações nos preços dos combustíveis estão fortemente ancoradas no panorama geopolítico internacional. Após uma subida inicial provocada pela guerra no Irão, pela tensão no Médio Oriente e pelo fecho do estreito de Ormuz, os valores chegaram a descer durante o período de cessar-fogo entre Washington e Teerão. Contudo, o retomar do conflito inverteu a tendência das últimas semanas, impulsionando novamente o preço do barril de petróleo e, consequentemente, dos combustíveis.
Apesar da escalada recente, o anúncio de um acordo por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o desarmamento total do Hamas teve reflexos nos mercados. Ao início da manhã de hoje, o barril de Brent (referência na Europa) baixava 0,89% para 88,24 dólares, e o WTI (referência nos EUA) recuava 1,18% para 82,60 dólares. O contrato ativo de gás natural no mercado europeu (TFF dos Países Baixos) acompanhou a tendência, com uma descida de 0,08% para 58,27 euros por megawatt-hora (MWh).
Para tentar estabilizar o panorama na região, a Arábia Saudita anunciou na passada quinta-feira a criação da Aliança Multinacional de Defesa Marítima. Esta coligação internacional tem como principal missão garantir a segurança das rotas comerciais e do fornecimento energético no mar Vermelho, em resposta aos ataques perpetrados por grupos aliados do Irão contra a navegação naquela via marítima.