O município do Porto registou uma diminuição de 204 pessoas em situação de sem-abrigo ao longo dos últimos cinco anos. A cidade encerrou o ano de 2025 com 526 indivíduos a viver nas ruas, o que representa a consolidação de uma trajetória de descida que se tem verificado desde 2021.
De acordo com os dados da Câmara Municipal do Porto — enviados pelo Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo do Porto (NPISA Porto) à estratégia nacional (ENIPSSA) —, o concelho obteve uma redução média de 51 pessoas por ano entre 2021 e 2025. O ano de 2021 assinalou o pico do período em análise, contabilizando 730 cidadãos a viver na rua.
A partir dessa data, os números espelham descidas consecutivas:
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2022: 647 casos (descida de 11,4%)
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2023: 597 casos (descida de 7,7%)
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2024: 553 casos (descida de 7,4%)
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2025: 526 casos (descida de 4,9%, a quebra mais baixa dos últimos cinco anos)
Perfil demográfico: maioria é portuguesa, mas não natural do Porto
A análise à demografia desta população revela que a esmagadora maioria (88,4%) tem nacionalidade portuguesa. No entanto, grande parte não é natural do Porto: 39,9% provêm de outros municípios. Quanto aos cidadãos estrangeiros, 8,2% são oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) — que registaram um ligeiro aumento de 1,8% —, 1,6% de países da União Europeia e 3,4% de outras geografias.
Respostas sociais e novo Centro de Pernoita em 2026
A redução dos números reflete o trabalho de sinalização e integração que tem vindo a ser desenvolvido na cidade, onde há cerca de 100 pessoas identificadas como vivendo cronicamente nas ruas. Projetos como os Albergues Noturnos conseguiram retirar nove pessoas da rua em cerca de seis meses, recorrendo a uma metodologia de matching — combinando o perfil específico de cada indivíduo com as características da habitação.
Para reforçar a resposta imediata e mitigar a exclusão social, a Câmara do Porto vai inaugurar, em 2026, o Centro de Pernoita em Lordelo, instalado na antiga escola básica (EB1) local. O novo espaço terá capacidade para acolher 120 pessoas e oferecerá serviços essenciais como banhos, roupa lavada e pequeno-almoço, juntando-se à rede de apoio já existente que inclui o Centro Joaquim Urbano e diversos restaurantes solidários.