O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai dispor de um novo centro de dados em Évora até ao final deste ano. A infraestrutura vai assegurar uma redundância em tempo real com o data center que atualmente opera no Porto, garantindo que, em caso de falha numa das instalações, a outra assuma o funcionamento de forma imediata.
O projeto representa um investimento de cerca de 15 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) — a entidade responsável pela gestão dos sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do SNS —, o novo polo “deverá estar operacional até ao final de 2026”.
Falha de energia recente paralisou o sistema
O anúncio surge na sequência de uma falha de energia registada na última sexta-feira no centro de dados do Porto, que causou fortes perturbações e constrangimentos temporários nos serviços do SNS ao longo dos dias seguintes.
O apagão informático teve impactos severos no terreno:
-
Receitas afetadas: O sistema de prescrição eletrónica de medicamentos — usado diariamente por cerca de 10 mil médicos para passar uma média de 250 mil receitas — foi um dos mais atingidos.
-
Consultas sem registo: A Ordem dos Médicos estimou que a avaria tenha resultado em mais de 150 mil consultas e atos clínicos programados sem registo informático em tempo real.
-
Paralisia nos Centros de Saúde: O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertou que a falha paralisou os cuidados de saúde primários em todo o país, bloqueando o acesso aos históricos dos utentes, emissão de receitas e requisição de exames.
Devido a este cenário, a Ordem dos Médicos exigiu explicações urgentes aos SPMS, estando agendada uma reunião entre ambas as entidades para a tarde desta quarta-feira.
Projeto avança após três anos de atraso
A calendarização atual do projeto assinala um desvio face aos prazos iniciais. No final de 2022, o presidente dos SPMS, Luís Goes Pinheiro, tinha previsto a instalação dos servidores em Évora para o primeiro trimestre de 2023, apontando o arranque da redundância para o final do primeiro semestre desse mesmo ano.
Questionados sobre o atraso, os SPMS justificaram que o projeto se está agora a “desenvolver de acordo com o esperado”, atribuindo a demora à elevada complexidade dos requisitos técnicos exigidos e aos trâmites legais associados aos concursos de contratação pública. A entidade reiterou a importância estratégica do polo alentejo para tornar o sistema “capaz de resistir a um conjunto de vicissitudes”.