Os moradores da zona do Fluvial, no Porto, vão sair à rua no próximo dia 26 de junho para protestar contra a transferência da sala de consumo assistido (atualmente na Pasteleira) para os terrenos do antigo bairro do Aleixo. A contestação popular já ganhou escala digital, com uma petição pública a aproximar-se rapidamente das 1.600 assinaturas.
A manifestação está convocada para as 18h00, junto à sede da Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro e Massarelos, com o objetivo de travar uma decisão que o executivo liderado por Pedro Duarte classifica como “temporária”, mas que a população repudia.
População exige consulta pública e suspensão da medida
Os signatários da petição acusam a Câmara Municipal do Porto de avançar com uma medida que “evidencia falhas graves ao nível da justiça territorial, da proteção das comunidades e da transparência democrática”. Os moradores alertam para os riscos elevados de segurança e para o impacto numa zona de elevada circulação pedonal.
Perante este cenário, os manifestantes exigem:
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A suspensão imediata da decisão de transferência;
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A abertura de um processo de consulta pública formal;
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A realização de estudos de impacto independentes;
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O desenho de uma estratégia integrada focada na prevenção e reinserção social, em vez de uma mera deslocação geográfica do problema.
Oposição em bloco critica falta de dados técnicos
A transferência da sala de consumo assistido uniu as várias forças da oposição na autarquia em críticas severas à maioria PSD/CDS-PP/IL.
O vereador do PS, Manuel Pizarro, apontou a ausência de “justificação técnica suficiente para mudar o local” e criticou a estratégia de simplesmente “deslocar umas centenas de focos independentes de uma zona para a outra”, defendendo antes a criação de um plano de cidade integrado que envolva todas as forças políticas.
À direita, Miguel Corte-Real (Chega) lamentou ter recebido “a informação consumada” por parte do executivo, exigindo políticas mais preventivas. Já a CDU sublinhou a gravidade de colocar o equipamento nos antigos terrenos do Aleixo sem quaisquer pareceres técnicos ou avaliação pública prévia, recordando o processo histórico de demolição daquele bairro social.
Nova sala fixa vai custar 600 mil euros
Apesar dos protestos, o projeto prevê a instalação de uma estrutura fixa, embora amovível, no cruzamento da Rua de Carvalho Barbosa com a Rua de Arnaldo Leite.
O novo espaço terá mais de 200 metros quadrados — o que representa mais do dobro da capacidade da atual infraestrutura da Rua 25 de Julho (que tem 90 metros quadrados) — e implicará um investimento municipal na ordem dos 600 mil euros. Atualmente, o equipamento em funcionamento na Pasteleira consegue retirar da via pública cerca de 280 consumos diários.