A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia vai alojar, até ao final do mês de julho, as 10 famílias do bairro do Cedro que enfrentam ordens de despejo após a venda das moradias onde residem. A garantia foi avançada esta quarta-feira, 17 de junho, por fonte do município.

O presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes, reuniu-se com os moradores afetados e assegurou que todos “vão ter casa municipal”. O autarca adiantou que as novas habitações ficarão localizadas perto da atual zona de residência e de transportes públicos, nomeadamente do metro, classificando o despejo das famílias como uma situação de “insensibilidade social”. Os serviços da câmara vão ainda prestar apoio na mudança, assegurando o transporte dos bens e “tudo o que for preciso”.

Casas vendidas a imobiliária após autarquia abdicar de compra

O caso foi tornado público no final de maio pelo jornal Público, que revelou que 13 moradias situadas na Rua Garcia de Orta, no Cedro, foram vendidas no início do ano a uma empresa de negócios imobiliários com sede em Torre de Moncorvo.

Em consequência da venda, os residentes — maioritariamente reformados ou cidadãos com baixos rendimentos — receberam notificações para abandonar as casas à medida que os respetivos contratos de arrendamento chegassem ao fim, num processo calendarizado entre este mês de junho e agosto. De acordo com o diário, a autarquia de Gaia teve a oportunidade de adquirir o conjunto de habitações por 1,2 milhões de euros, mas optou por não exercer o direito de preferência.

Grupo de trabalho municipal acompanha processo

A decisão de alojar os moradores surge um dia após o vice-presidente da autarquia, Firmino Pereira, ter anunciado, em reunião de câmara, a constituição formal de uma equipa interna dedicada ao problema.

O grupo de trabalho, composto por elementos eleitos pela coligação PSD/CDS-PP/IL, foi criado com o propósito de acompanhar de perto a situação e encontrar, “dentro do possível”, uma resposta célere e viável para proteger as 10 famílias afetadas na Rua Garcia de Orta.