A qualidade das águas balneares em Portugal continental registou um agravamento na época balnear de 2026. Segundo uma análise divulgada esta terça-feira, 1 de setembro, pela associação ambientalista ZERO, as restrições ao banho subiram 65% e as interdições decretadas mais do que duplicaram entre os meses de maio e julho, face ao período homólogo de 2025.

O estudo baseou-se nos relatórios mensais da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Direção-Geral da Saúde (DGS). Apesar do número de águas balneares identificadas ter descido ligeiramente de 526 para 523, o total de restrições subiu de 51 para 84.

Contaminação microbiológica e praias afetadas

Os dados recolhidos indicam que os desaconselhamentos de banhos passaram de 34 para 45, enquanto as interdições decretadas pelas autoridades de saúde subiram de 17 para 39, um aumento de 129%. A contaminação microbiológica foi apontada como a principal causa de interdição, registando uma subida de 143% (de 14 para 34 situações), com forte incidência no mês de julho, que concentrou 30 ocorrências.

Analisando a informação disponível até 30 de agosto, a ZERO contabilizou 68 águas balneares em todo o país afetadas por pelo menos um episódio de água imprópria, perfazendo 87 ocorrências:

  • Águas interiores: 32 praias (representam 47% dos casos, apesar de constituírem cerca de 30% do total de águas balneares no continente);

  • Águas costeiras: 29 praias;

  • Águas de transição: 7 praias.

Em termos locais, a praia de Unhais da Serra, na Covilhã, somou quatro ocorrências de água imprópria, e a praia do Cabedelo, na Figueira da Foz, registou três. O concelho de Matosinhos figurou como o município com maior número de áreas balneares afetadas, num total de sete.

Apelo a fiscalização e perda de galardões

A associação alertou para a incapacidade recorrente de travar a contaminação, atribuindo o problema a deficiências nas redes de saneamento, descargas da agropecuária e indústria, além de poluição difusa. Para mitigar a situação, a ZERO defende a aplicação de medidas de prevenção aliadas a uma fiscalização inspetiva rigorosa com responsabilização direta.

Em virtude das análises efetuadas durante a época balnear, duas zonas que ostentavam o galardão “Praia Zero Poluição” — Arda, em Viana do Castelo, e Agudela, em Matosinhos — registaram água imprópria para banho, pelo que perderão essa distinção em 2027.