O músico Luís Represas morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. As cerimónias fúnebres têm início esta quinta-feira na Basílica da Estrela, em Lisboa, com o velório aberto ao público entre as 16h00 e as 22h30. Na sexta-feira realiza-se uma cerimónia religiosa no mesmo local, às 15h00, seguindo-se o funeral reservado à família.

O artista, nascido em Lisboa em 1956, encontrava-se a assinalar 50 anos de carreira e tinha recentemente anunciado dois concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto para abril de 2027.

Fundador dos Trovante e carreira a solo

Luís Represas foi um dos fundadores do grupo Trovante, em 1976, coletivo que marcou a música portuguesa até aos anos 1990 com álbuns como “Baile no Bosque” (1981) e “Cais das Colinas” (1983). Após a separação da banda, o grupo voltou a reunir-se pontualmente para concertos em 1999, 2006, 2017 e, mais recentemente, em março passado, com atuações esgotadas no Porto e em Lisboa.

A carreira a solo começou em 1993 com o álbum “Represas”, gravado em Cuba, que deu origem a temas como “Feiticeira”, “Fora de Tempo” e “Neva sobre a marginal”. O seu trabalho discográfico mais recente, “Miragem”, foi lançado em 2024. Ao longo do seu percurso, colaborou com artistas nacionais e internacionais, entre os quais Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Jorge Palma, Phil Collins e Gilberto Gil.

O papel na causa de Timor-Leste e distinções

A vida de Luís Represas ficou também marcada pelo envolvimento na luta pela independência de Timor-Leste. A canção “Timor” tornou-se um dos grandes símbolos dessa causa, tendo a letra sido traduzida para tetum por Xanana Gusmão. Em 2000, o músico integrou a comitiva do Presidente da República Jorge Sampaio numa visita oficial ao território e, em 2016, foi condecorado pelo Presidente Taur Matan Ruak com a Medalha da Ordem de Timor-Leste.

Em Portugal, o seu contributo cultural e cívico foi reconhecido pelo Estado em 2005 com a atribuição do grau de Comendador da Ordem de Mérito.

Fotografia: Facebook de Luís Represas (Rodrigo Simas Photography)