A interface de transportes de Campanhã é classificada como a mais importante da cidade, mas obteve a pontuação mais baixa no diagnóstico do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Município do Porto. Numa escala de 0 a 4, elaborada a partir de critérios de acessibilidade, conforto, segurança e serviço, Campanhã registou 2,2 pontos, contrastando com as pontuações mais altas atribuídas à Trindade e a São Bento (2,8).

A proposta do PMUS será submetida a consulta pública após votação na reunião do executivo camarário agendada para a próxima terça-feira. O documento classifica Campanhã como a única infraestrutura de 1.ª ordem na cidade devido aos elevados fluxos de passageiros e às ligações às escalas local, metropolitana, nacional e internacional.

Infraestrutura, acessos e problemas de transbordo

A avaliação aponta que o desempenho de Campanhã é penalizado pela localização afastada de funções urbanas relevantes e pela falta de articulação entre os diferentes modos de transporte, fruto de uma evolução por fases e sob gestão de distintas entidades (Infraestruturas de Portugal, Metro do Porto e STCP Serviços). Entre os constrangimentos sinalizados no relatório constam:

  • Distâncias de ligação: O percurso pedonal entre a ferrovia e o Terminal Intermodal de Campanhã (TIC) pode ultrapassar os 600 metros, estando a ligação direta entre os cais 1 a 9 e o túnel de acesso pendente de execução no âmbito do projeto da linha de alta velocidade;

  • Sinalética: Presença de informação não padronizada e de leitura complexa para os utilizadores;

  • Acessos rodoviários: Subdimensionamento da rede viária circundante, gerando congestionamentos frequentes de trânsito;

  • Conflitos de circulação: Travessia pedonal para o túnel de acesso a cruzar diretamente a entrada de autocarros.

Sobreocupação e revisão do projeto

No Terminal Intermodal de Campanhã, o estudo sinaliza níveis elevados de sobreocupação ao longo do dia devido ao dimensionamento reduzido dos espaços para o volume de passageiros, além de cais de embarque com largura insuficiente e escassez de lugares de espera.

O relatório sublinha a gravidade das deficiências por se tratar de um equipamento recente, no qual foram investidos mais de 12 milhões de euros, informando que foi adjudicada a revisão do projeto para implementar alterações na infraestrutura.

Fotografia: João M. S. Moreira