O astrofísico Pedro Machado alertou, esta terça-feira, 21 de julho, para a obrigatoriedade de utilizar óculos certificados na observação do eclipse solar do próximo dia 12 de agosto. O cientista e comissário nacional para o eclipse do Sol 2026 avisou que a inobservância destas regras pode causar lesões graves e irreparáveis nos olhos.
A falar em Bragança sobre as características deste fenómeno, o especialista sublinhou que a observação não deve ser feita de forma contínua. “Deve-se olhar durante alguns segundos e desviar o olhar”, frisou, reforçando que o uso de proteção adequada é indispensável em qualquer ponto do país. A única exceção ocorre nas zonas onde o eclipse será total: “É só quando fica de noite que podem tirar os óculos durante 26 segundos”.
Equipamento certificado e cuidados com câmaras
Pedro Machado explicou que os óculos próprios para a observação devem ter certificação e deixar passar “somente uma parte em mil da luz solar”, o que impede danos oculares. Estes equipamentos podem ser adquiridos no Centro de Ciência Viva de Bragança e em farmácias.
O alerta estende-se ao uso de câmaras fotográficas, binóculos ou telescópios. Sem os filtros e proteções adequadas para visualização direta, o impacto do sol pode danificar os aparelhos e provocar lesões graves na retina. “Tem de se ter cuidado, ponto. Não há cuidados médios, há o não ter cuidado ou ter cuidado. Por favor toda a gente tenha cuidado”, apelou.
Fenómeno raro e sombra total em Bragança
O eclipse solar ocorre devido ao alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol, momento em que a Lua oculta o disco solar. Em Portugal, o último eclipse total verificou-se em 1912. Pedro Machado classificou o evento como “raro”, “fascinante” e “único nas nossas vidas”.
A totalidade do eclipse — quando a Lua cobre 100% o Sol — só será visível, em território nacional, nas aldeias de Rio de Onor e Guadramil, no concelho de Bragança. No entanto, a versão parcial do fenómeno poderá ser acompanhada em todo o continente e ilhas.
Nas zonas de eclipse total, a escuridão durará 26 segundos, permitindo ver estrelas durante o dia e a coroa solar. Em todo o país, incluindo Açores e Madeira, serão visíveis outros efeitos como alterações no vento e projeções de sombras do disco solar.
O próximo eclipse total visível em Portugal só ocorrerá daqui a mais de um século, embora no próximo ano o fenómeno possa ser presenciado no Sul de Espanha e na Tunísia.