Um inquérito nacional promovido pela Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) revela que Portugal continua a ser uma sociedade favorável à convivência intercultural, mas expõe focos persistentes de discriminação. De acordo com o estudo, os residentes ciganos, as pessoas originárias do sul da Ásia e os muçulmanos são apontados como as comunidades que mais sofrem discriminação e as que são vistas como menos contributivas para o desenvolvimento do país.

O estudo, que envolveu 1.200 participantes entre maio e junho deste ano, demonstra que 92% dos portugueses defendem a aceitação da diversidade cultural e religiosa, desde que respeitados os valores fundamentais, e 68% afirmam sentir-se confortáveis no convívio com outras culturas. Contudo, a perceção varia drasticamente consoante a comunidade: enquanto os refugiados ucranianos colhem opiniões mais positivas, comunidades como a cigana, a muçulmana e a africana registam avaliações mais negativas.

Desconhecimento marca perceção sobre a comunidade judaica

O inquérito teve como foco principal avaliar a perceção dos portugueses sobre a comunidade judaica, revelando uma forte lacuna ao nível do conhecimento e da literacia histórica:

  • Falta de proximidade: Apenas 3% dos inquiridos afirmam conhecer bem a comunidade judaica, embora quase metade (48%) reconheça o seu contributo positivo para o desenvolvimento de Portugal.

  • Impacto do conflito no Médio Oriente: Quase metade dos participantes admite que os acontecimentos em Israel afetam diretamente a imagem que têm dos judeus em geral.

  • Desconhecimento de conceitos: Cerca de 19% dos portugueses nunca ouviram falar do termo “antissemitismo” e apenas 40% o sabem definir corretamente como hostilidade ou preconceito contra judeus. O conceito de “sionismo” é também totalmente desconhecido para 40% da amostra.

O relatório conclui que, apesar de predominar uma postura de neutralidade e abertura à diversidade no quotidiano, subsistem clivagens e estereótipos enraizados face a determinados grupos étnicos e estrangeiros no panorama social português.