Vários municípios portugueses estão a eliminar a operação de trotinetes partilhadas nos seus territórios, uma tendência contestada pelas empresas operadoras Bolt, Lime e Bird. Numa resposta conjunta, as três operadoras garantem que têm adaptado a sua atividade à evolução das regras autárquicas e apelam a soluções articuladas para o espaço público.
Proibições em Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho
A interrupção dos serviços de micromobilidade partilhada avançou em vários concelhos do país:
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Vila Nova de Gaia: A autarquia cancelou o concurso para a disponibilização do serviço. A decisão surge num contexto em que a vizinha Câmara do Porto aprovou um estudo sobre a sinistralidade associada às trotinetes, na sequência de um acidente grave com uma jovem.
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Braga: O executivo votou favoravelmente o cancelamento do serviço, tendo o presidente da Câmara, João Rodrigues (PSD/CDS-PP/PPM), justificado a medida com a necessidade de “avaliar, repensar e regulamentar” a circulação.
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Espinho: A autarquia liderada por Jorge Ratola (PSD) retirou as trotinetes e bicicletas partilhadas por considerar que a desordem no espaço público ameaça a segurança e a mobilidade.
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Coimbra e Lisboa: Em Coimbra, a presidente Ana Abrunhosa (PS/L/PAN) afirmou que a cidade não tem condições atuais para o serviço, estando em preparação um regulamento e concurso de concessão. Em Lisboa, o Automóvel Club de Portugal (ACP) propôs a realização de um referendo municipal para proibir a circulação destes veículos.
A posição dos operadores e as medidas de fiscalização
A Bolt, Lime e Bird contestam a proposta de referendo do ACP, sustentando que os problemas de segurança rodoviária decorrem da condução perigosa, das falhas de infraestrutura e da falta de fiscalização eficaz. Os operadores defendem a redução do tráfego automóvel particular e a criação de vias protegidas para peões e micromobilidade.
Quanto às queixas de estacionamento indevido nos passeios, as empresas sublinham os investimentos realizados em tecnologia e controlo:
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Verificação do estacionamento recorrendo a inteligência artificial;
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Exigência de fotografia obrigatória no encerramento de cada viagem;
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Aplicação de penalizações e sistemas de avaliação dos utilizadores;
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Equipas de terreno para resposta rápida a denúncias de má arrumação.
As operadoras referem, contudo, que a tecnologia e a fiscalização não resolvem o problema sem a criação de locais de estacionamento devidamente sinalizados, manifestando disponibilidade para modelos de coinvestimento com os municípios.
Sociedade civil e dados da sinistralidade
Em defesa da mobilidade suave, Mário Alves, da associação Estrada Viva, considerou que as trotinetes “não são um problema comparado com os automóveis”, alertando para a necessidade de não desviar a atenção do perigo decorrente do tráfego automóvel.
Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) relativos ao ano de 2025:
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Velocípedes (incluindo trotinetes): Registaram-se 4 296 acidentes e 28 vítimas mortais.
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Automóveis (ligeiros e pesados) e motociclos: Registaram-se 57 195 acidentes e 352 mortes.
Os dados apresentados pela ANSR não discriminam a responsabilidade individual nos sinistros registados.