Mais de metade dos portugueses (51%) equaciona recorrer à inteligência artificial (IA) em vez de consultar um profissional de saúde. O dado consta no relatório STADA Health Report 2026, hoje divulgado, que coloca Portugal na 15.ª posição entre 20 países analisados nesta matéria. A média global de aceitação desta tecnologia fixa-se nos 58%, sendo liderada pelo Cazaquistão (74%) e encerrada pelo Uzbequistão (45%).
O estudo independente, realizado entre fevereiro e março de 2026, revela que a abertura à IA na área da saúde é estatisticamente maior entre os homens, as faixas etárias mais jovens e os indivíduos que já praticam a automedicação.
Como os portugueses utilizam a IA na saúde
Apesar de 49% dos inquiridos em Portugal afirmar que não utiliza a inteligência artificial para fins de saúde, os restantes utilizadores dividem a aplicação da tecnologia de acordo com as seguintes finalidades:
| Finalidade do uso de IA na saúde | Percentagem de portugueses |
| Entender diagnósticos | 30% |
| Prevenção de doenças | 22% |
| Preparar uma consulta médica | 13% |
| Obter uma segunda opinião | 11% |
| Suporte em saúde mental | 6% |
Adicionalmente, 41% dos portugueses mostraram-se disponíveis para armazenar todo o seu historial clínico e dados de saúde num sistema de IA com o intuito de otimizar diagnósticos, tratamentos ou medidas preventivas — um valor alinhado com a média de 43% registada no conjunto dos 22 países analisados nesta categoria.
Receios e benefícios apontados em Portugal
O relatório evidencia que os cidadãos nacionais manifestam reservas superiores à média europeia no que toca à segurança e à desumanização dos serviços:
-
Principais preocupações:
-
61% temem a ocorrência de erros ou diagnósticos incorretos (média global de 54%).
-
46% receiam a utilização indevida dos seus dados de saúde (média global de 41%).
-
43% mostram-se preocupados com a redução da interação humana nos cuidados de saúde (média global de 38%).
-
-
Benefícios reconhecidos:
-
51% acredita que a IA pode proporcionar diagnósticos mais céleres (média global de 43%).
-
38% antevê um acesso facilitado aos serviços de saúde, nomeadamente em zonas rurais ou carenciadas.
-
35% considera que a tecnologia será útil para apoiar os médicos na atualização do conhecimento científico.
-
Tendência europeia: O papel reforçado do médico e o autodiagnóstico
Os dados do estudo indicam uma clivagem geográfica, com os mercados da Europa de Leste a demonstrarem uma permeabilidade superior às consultas apoiadas por IA do que os países da Europa Ocidental.
No cômputo europeu, 82% dos cidadãos estão abertos à integração da tecnologia nos cuidados de saúde e 55% já a utilizam ativamente. Contudo, a confiança permanece centrada no fator humano: 77% dos europeus continuam a basear as suas decisões no médico de família ou noutros profissionais do setor, e cerca de oito em cada dez mantêm a preferência por consultas num regime presencial.
O relatório conclui que a população europeia não ambiciona a substituição dos profissionais pela tecnologia, mas espera que o papel dos clínicos seja reforçado e otimizado através dela.
A crescente adesão a ferramentas digitais surge num quadro de maior responsabilização individual pela saúde, motivada pela pressão sobre os sistemas públicos:
-
78% dos europeus considera ter os conhecimentos e recursos necessários para gerir a sua própria saúde.
-
94% assume recorrer à automedicação para resolver problemas de saúde pontuais.
-
85% utiliza pelo menos um dispositivo de monitorização (como equipamentos domésticos de medição ou dispositivos de acompanhamento de atividade física).
Interrogados sobre as medidas que tomariam se assumissem a pasta de ministros da Saúde, 58% dos europeus investiria prioritariamente no aumento do número de profissionais para mitigar os tempos de espera, enquanto 49% direcionaria os recursos para o reforço do acesso aos cuidados de saúde primários.
Ficha técnica do estudo
O inquérito online foi operacionalizado pelo instituto internacional de estudos de mercado Human8, por encomenda do grupo farmacêutico internacional STADA. A amostra incluiu cerca de 20.000 respondentes distribuídos por 20 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Cazaquistão, Chéquia, Eslováquia, Espanha, França, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Sérvia, Suíça e Uzbequistão.