O apoio financeiro do programa municipal Porto Solidário continua a ser um balão de oxigénio crucial para mitigar a crise habitacional na Invicta. Os dados mais recentes do Observatório de Habitação Social do Município do Porto (OHSMP), gerido pela empresa municipal Domus Social, revelam que os beneficiários lidam com taxas de esforço sufocantes que rondam, em média, os 60% do seu rendimento.

Num panorama onde os valores médios das rendas na cidade se aproximam perigosamente do rendimento médio per capita, o apoio revela-se vital mesmo para quem está inserido no mercado de trabalho — os trabalhadores por conta própria ou de outrem representam 34,9% do total dos apoiados.

Solitários e famílias monoparentais são os mais afetados

O perfil traçado pelo Observatório detalha que os agregados unipessoais (pessoas a viver sozinhas) e as famílias monoparentais (apenas um adulto com dependentes a cargo) continuam a ser as franjas que mais recorrem a este Fundo Municipal de Emergência Social.

Estes dados confirmam as dificuldades severas enfrentadas por um único adulto para suportar os encargos da casa sem redes de apoio financeiro, validando a necessidade de respostas públicas focadas nestes perfis de isolamento ou vulnerabilidade.

Apoio mensal podia chegar aos 262 euros

O Porto Solidário foi desenhado para atribuir uma verba calculada em função dos rendimentos e da taxa de esforço de cada candidato, funcionando como um subsídio direto ao pagamento de rendas ou de prestações bancárias pelo prazo máximo de dois anos. Até ao final de 2025, este teto fixava-se nos 262,50€ mensais.

No fecho do ano transato, o programa contabilizava 1.316 famílias ativas a receber a subvenção. Contudo, a dimensão do programa é histórica: desde que foi lançado, o fundo já acolheu 6.700 agregados familiares, registando uma média de 2,2 candidaturas por agregado, o que prova que muitas famílias necessitam de recorrer ao apoio mais do que uma vez para evitar o despejo ou o incumprimento bancário.