O homem acusado de matar a ex-namorada à facada, em agosto de 2025, em Matosinhos, foi esta sexta-feira condenado a 23 anos de prisão pelo Tribunal de Matosinhos.
Durante a leitura do acórdão, o coletivo de juízes considerou provado que o arguido “tirou a vida à vítima com sucessivos golpes de faca”, depois de entrar na habitação da ex-companheira, em São Mamede de Infesta, onde ambos tinham vivido antes do fim da relação.
Segundo o tribunal, o homem surpreendeu a vítima na companhia de outro homem, filmou os dois e dirigiu-se depois à cozinha, onde pegou em duas facas utilizadas no ataque.
A mulher acabou por morrer no local, enquanto o homem que a acompanhava conseguiu fugir, apesar de também ter sido esfaqueado.
O coletivo de juízes concluiu que o arguido pretendia igualmente matar o outro homem, não o tendo conseguido por motivos alheios à sua vontade.
Após o crime, o condenado dirigiu-se para o aeroporto de Lisboa com o objetivo de fugir para o Brasil, tendo sido detido antes de embarcar.
O tribunal considerou que o arguido agiu movido por ciúmes e pela não aceitação do fim da relação, revelando “manifesta insensibilidade” e “total indiferença” perante os pedidos de socorro da vítima.
Apesar de afastar a existência de premeditação, o juiz sublinhou que o homem teve tempo para refletir sobre os atos enquanto permaneceu cerca de 20 minutos dentro da habitação antes do ataque.
Além da pena de prisão, o tribunal condenou o arguido ao pagamento de indemnizações de cinco mil euros ao pai da vítima mortal e de 20 mil euros ao homem sobrevivente do ataque.
Durante a leitura da sentença, o magistrado deixou ainda uma mensagem dirigida ao condenado, sublinhando a importância do respeito pela dignidade e independência das pessoas.