As condições meteorológicas adversas e o impacto do conflito no Médio Oriente colocam o setor agroalimentar numa situação delicada, como afirmou Idalino Leão, presidente da CONFAGRI, em declarações exclusivas à Jornal FM.
Segundo o responsável, o setor continua a ser tratado como o “parente pobre”, denunciando a ausência de medidas de apoio, nomeadamente no que diz respeito ao gasóleo agrícola. Idalino Leão manifestou “espanto e muita estranheza” perante a falta de resposta do Executivo, sobretudo quando, segundo sublinhou, houve rapidez na adoção de medidas para mitigar os efeitos da guerra no gasóleo rodoviário.
“O Governo foi célere, por exemplo, com a questão dos ajustes do gasóleo rodoviário para minimizar os impactos da guerra, e é com espanto que vejo a não reação para o gasóleo agrícola”, afirmou. O dirigente destacou ainda a relevância estratégica do setor, lembrando que questões como a soberania e a segurança alimentar assumem hoje um papel central no contexto geopolítico.

Para a CONFAGRI, a ausência de medidas adequadas pode agravar os efeitos negativos que o atual cenário internacional já está a provocar no setor agroalimentar.
Além das críticas, Idalino Leão deixou no ar a possibilidade de um protesto de grande dimensão por parte dos profissionais do setor. “Neste momento não quero alongar muito mais, até porque temos aqui uma série de temas que estão a causar muita revolta”, afirmou.
Entre as preocupações adicionais, a CONFAGRI destacou o impasse nos laboratórios de sanidade animal, bem como a necessidade de medidas de contingência para a dermatose nodular contagiosa. A organização alerta ainda para a insuficiente dotação orçamental destinada a responder às necessidades de investimento no setor.
O cenário traçado pela CONFAGRI aponta para um agravamento das tensões no setor agroalimentar, numa altura em que os desafios internos se somam às pressões externas.