A associação ambientalista Zero e o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) alertaram esta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, para a persistência da má qualidade do ar nas zonas urbanas. Com base nos dados oficiais do sistema QualAr, da Agência Portuguesa do Ambiente, as organizações sublinham que o dióxido de azoto, emitido maioritariamente por veículos a combustão, continua a registar níveis preocupantes junto às vias de maior tráfego.

Em 2024, as estações de medição da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e de Frei Bartolomeu Mártires, em Braga, voltaram a ultrapassar o limite anual de 40 microgramas por metro cúbico. Além disso, 93,8% das estações de tráfego analisadas excederam os valores de referência recomendados pela Organização Mundial da Saúde, fixados em 10 microgramas por metro cúbico.

Impactos na saúde e prazos de regulamentação

As entidades recordam que a exposição a este poluente irrita as vias respiratórias e agrava patologias cardiovasculares. Em Portugal, calcula-se que a poluição do ar cause cerca de 4.200 mortes prematuras por ano, o equivalente a 12 óbitos diários.

Com a transposição da nova Diretiva Europeia agendada para 11 de dezembro, o país terá de cumprir metas mais exigentes até 2030. Perante este cenário, as duas associações exigem a intervenção imediata do Governo e das autarquias através de medidas de restrição aos veículos mais poluentes, incentivo à eletrificação de pesados, criação de espaços verdes urbanos e reforço da rede de monitorização de partículas finas.