Portugal figura entre os países da União Europeia onde a incidência de cancro da mama em mulheres com menos de 50 anos mais cresceu nas últimas duas décadas, segundo um relatório da OCDE e da Comissão Europeia. Entre 2000 e 2022, o número de casos nesta faixa etária aumentou, em média, 16% na UE, passando de 53,3 para 62,0 casos por 100 mil mulheres.
Sendo o tumor mais diagnosticado no sexo feminino, registaram-se em Portugal cerca de 9.100 novos casos e 2.101 mortes por cancro da mama em 2024. Apesar da mortalidade ter vindo a diminuir com a evolução dos tratamentos e o diagnóstico precoce, nas mulheres mais jovens a doença tende a ser detetada em fases mais avançadas — por não estarem abrangidas por programas de rastreio e pela desvalorização dos sintomas —, associando-se com frequência a subtipos biologicamente mais agressivos, como o triplo-negativo, e a um maior risco de recidiva aos cinco a dez anos.
O impacto de um diagnóstico em idade jovem estende-se à fertilidade, menopausa precoce, rutura profissional, instabilidade económica e isolamento social. No sentido de combater esta realidade, o programa nacional de rastreio foi alargado em 2025 para abranger mulheres a partir dos 45 anos (até aos 74 anos).
Com o objetivo de alertar para a especificidade e diversidade dos subtipos moleculares da doença nesta faixa etária, decorre no âmbito do Outubro Rosa a 4.ª edição da campanha “O Meu é Diferente do Teu”. Promovida pela AstraZeneca e Daiichi Sankyo, a iniciativa conta com o apoio de entidades como a Sociedade Portuguesa de Senologia, a Sociedade Portuguesa de Oncologia, a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Associação Careca Power, a EVITA e a Breast Cancer in Young Women Foundation.
