A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, alertou para a situação “grave” em que se encontra a praia de Angeiras e exigiu a reposição urgente de areia no local. Numa conferência de imprensa realizada na própria praia, a autarca apelou a uma intervenção célere do Governo e da ministra do Ambiente ainda durante a presente época balnear, criticando a falta de resposta aos sucessivos pedidos da autarquia.
Segundo nota, o município de Matosinhos tem vindo a alertar o Executivo desde 2022, tendo reforçado as diligências em 2024 e novamente este ano, sem que tenha obtido uma resposta efetiva até ao momento.

Quebra-mar na origem do problema
De acordo com a presidente da Câmara, o cenário agravou-se após a construção do quebra-mar do Portinho de Angeiras. A autarquia apoia-se num estudo da Universidade do Minho que estabelece uma relação direta entre a edificação dessa estrutura e os fenómenos observados na costa:
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A norte do quebra-mar: Verifica-se o assoreamento das praias;
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A sul do quebra-mar: Regista-se uma forte erosão costeira com impactos ambientais e balneares.
Tanques romanos de salga em risco de degradação
Para além dos impactos ambientais, a forte erosão gerou um problema de cariz arqueológico. Os tanques romanos de salga de peixe — um importante património histórico da zona — encontram-se atualmente expostos devido ao recuo do areal.
Luísa Salgueiro alerta que esta exposição contínua e a falta de intervenção colocam o legado em risco de degradação, o que poderá comprometer a sua preservação de forma irreversível.