A Câmara Municipal do Porto, em parceria com a Federação Académica do Porto (FAP Social), assinala os 22 anos do Programa Aconchego. Criada em 2004 de forma pioneira no país, a iniciativa de coabitação solidária entre idosos e estudantes do ensino superior já envolveu, ao longo de mais de duas décadas, mais de 300 participantes.
O programa destina-se a pessoas com 60 ou mais anos, residentes no Porto e em situação de isolamento ou solidão, e a estudantes universitários deslocados. O modelo prevê que o sénior disponibilize um quarto na sua habitação, enquanto o jovem oferece companhia e apoio no quotidiano. A participação é totalmente gratuita e a permanência pode ser renovada. Até ao final de 2025, o projeto registou a adesão de 105 seniores e 168 estudantes.
Ações para reforçar adesão dos idosos
Para marcar os 22 anos da medida, o Município do Porto está a promover um conjunto de iniciativas inspiradas em testemunhos de participantes e familiares. O objetivo prioritário passa por amplificar os benefícios do programa junto da população sénior e das suas famílias, dado ter-se verificado que este grupo adere em menor escala em comparação com os jovens universitários.
A vereadora da Coesão Social, Gabriela Queiroz, destaca a importância da resposta perante duas realidades paralelas: “o isolamento de quem envelhece e a dificuldade de jovens universitários em conseguir alojamento”. A responsável sublinha que o programa une gerações através de uma solução simples, notando que, embora exija “cuidado e tempo na seleção dos pares”, o processo representa “um investimento que faz verdadeiramente a diferença”, garantindo tranquilidade às famílias.
Marca registada e modelo replicado no país
Além de colmatar carências de alojamento e combater a solidão, o Programa Aconchego visa valorizar a troca de experiências intergeracional.
A consolidação do modelo levou o Município do Porto a efetuar o registo da marca. O impacto da iniciativa tem suscitado o interesse de outros municípios portugueses, como Mirandela e Oliveira de Azeméis, que já avançaram com a replicação do projeto nos respetivos territórios para fomentar a coesão comunitária e o envelhecimento ativo.