Mais de quatro em cada dez interrupções da gravidez realizadas em Portugal em 2025 foram efetuadas por mulheres de nacionalidade estrangeira. A conclusão consta do relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta segunda-feira, 28 de setembro, que contabilizou um total de 18 869 interrupções da gravidez no último ano, mantendo o nível registado no ano anterior (18 871).

Do total de procedimentos registados em 2025, a esmagadora maioria (18 239 casos) decorreu por opção da mulher nas primeiras 10 semanas de gestação. O segundo motivo mais frequente esteve associado a situações de doença grave ou malformação congénita do nascituro, com 495 casos.

No grupo das interrupções efetuadas por opção da mulher, 44,2% (8 059 casos) corresponderam a cidadãs não portuguesas, confirmando uma tendência de subida contínua nos últimos cinco anos, face às 3 567 registadas em 2021. As nacionalidades angolana (20,9%), brasileira (19,7%) e cabo-verdiana (14,6%) sobressaíram como as mais representadas. Perante estes indicadores, a DGS sublinhou a urgência de garantir respostas inclusivas e adaptadas à diversidade linguística, social e cultural para reduzir barreiras no acesso à saúde sexual e reprodutiva.

A atividade por opção da mulher foi registada em 32 estabelecimentos de saúde. O relatório destaca a consolidação da resposta no Litoral Alentejano e na região do Tâmega e Sousa, além do regresso do registo no Hospital de Ponta Delgada e da ausência de casos na ULS da Cova da Beira. A maioria dos procedimentos continuou a ser efetuada no setor público (66%), embora o setor privado tenha assegurado 34% dos casos (6 204 registados num único estabelecimento, a Clínica dos Arcos, em Lisboa).

O relatório evidenciou ainda disparidades nos métodos utilizados: no SNS prevaleceu o método medicamentoso (97,7%), enquanto no setor privado 62,9% dos atos foram cirúrgicos. O tempo médio de espera entre a consulta prévia e a realização da interrupção fixou-se nos seis dias, mantendo-se a idade média das utentes nos 28,5 anos e a idade gestacional média nas sete semanas.