O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) registou um aumento significativo da procura dos seus serviços nas últimas semanas. Entre os dias 1 e 21 de junho de 2026, os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) receberam cerca de 97.900 chamadas, traduzindo-se numa média diária superior a 4.660 contactos. Em comparação com o mesmo período de 2025, cuja média diária foi de 4.377 chamadas, verificou-se um acréscimo de aproximadamente 287 contactos por dia, o que representa uma subida de 6,5% (cerca de 6.000 chamadas a mais no total do período computado).
Segundo dados avançados pelo instituto à agência Lusa, este aumento de atividade tem vindo a ser observado desde o final de maio e está diretamente associado aos efeitos das temperaturas elevadas, que potenciam o agravamento de doenças crónicas e geram novas situações de doença aguda. Entre os motivos mais frequentes de contacto com as linhas de emergência encontram-se:
-
Dificuldades respiratórias e alterações do estado geral;
-
Agravamento de patologias cardiovasculares;
-
Episódios de desidratação, síncopes e golpes de calor.
Embora o acréscimo de procura seja generalizado a várias regiões do país, o INEM assinala que a pressão sobre o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) tende a ser maior nas zonas que registam um aumento sazonal da população, com especial destaque para a região do Algarve. Para mitigar este impacto, encontra-se em vigor, até ao final de setembro, o Plano de Reforço Operacional para o verão, que contempla o reforço dos meios de emergência médica naquela área balnear.
O INEM sublinhou que os idosos, os doentes crónicos (com patologias cardiovasculares, respiratórias, renais ou metabólicas), as crianças mais pequenas e as pessoas com maior exposição ao calor por razões profissionais ou recreativas continuam a ser os grupos mais vulneráveis. A resposta operacional está a ser coordenada em permanência com os bombeiros, delegações da Cruz Vermelha Portuguesa, hospitais públicos, forças de segurança e proteção civil.
Face às previsões meteorológicas, o instituto apela à adoção de medidas preventivas, recomendando que se evite a exposição solar nas horas de maior calor, se reforce a ingestão de água, se utilize roupa leve e se evitem esforços físicos intensos, aconselhando ainda a procura de assistência médica imediata perante sinais graves como alterações do estado de consciência ou dificuldade respiratória.