Todo o território de Portugal continental entrou em situação de seca meteorológica durante o mês de julho, o mais seco registado no presente século. A informação foi avançada pela agência Lusa com base nos dados preliminares do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Segundo o IPMA, o agravamento generalizado da seca a todo o país resulta da combinação da escassez de precipitação com a persistência de temperaturas elevadas. No final de junho, o fenómeno encontrava-se circunscrito aos distritos do litoral Norte e a sul de Coimbra. Em julho, a quantidade total de chuva foi inferior a 8% do valor normal para o mês, tornando-o o 8.º mais seco desde 1931.

Onda de calor e novos recordes de temperatura

O resumo climatológico do IPMA destaca a onda de calor registada entre 29 de junho e 11 de julho, classificada como a de maior magnitude e a segunda de maior extensão espacial desde 1981. O valor mais elevado da temperatura máxima ocorreu em Mora, a 3 de julho, atingindo os 44,3 ºC.

O período ficou assinalado por novos extremos absolutos:

  • Temperatura máxima (4 de julho): Novos recordes em Monção e S. Pedro de Moel.

  • Temperatura mínima (3 e 4 de julho): Valores históricos em Coimbra, Figueira da Foz e Lisboa (a 3 de julho) e em Viana do Castelo e Cabo Raso (a 4 de julho).

  • Anomalias: Entre 3 e 5 de julho, as temperaturas máximas registaram desvios superiores a 8 ºC acima do normal.

Em termos globais, este foi o 7.º mês de julho mais quente em Portugal continental desde 1931, com uma temperatura média de 24,04 ºC
(mais 1,41 ºC face ao período de referência) e uma média das máximas de 31,46 ºC.

Situação nas regiões autónomas

Relativamente às ilhas, o IPMA reporta que o mês de julho no arquipélago dos Açores foi frio e muito chuvoso. Na Região Autónoma da Madeira, verificaram-se temperaturas médias superiores ao normal e precipitação acumulada abaixo do habitual. A versão final dos boletins climatológicos para o continente e ilhas será publicada em meados de agosto.