A Câmara Municipal de Baião emitiu um parecer desfavorável ao projeto de instalação de uma central fotovoltaica na Serra do Marão, defendendo a proteção do património ambiental e paisagístico da região.
Em causa está a proposta de hibridização do Parque Eólico de Penedo Ruivo, que prevê a instalação de cerca de 25 mil painéis solares numa área de aproximadamente sete hectares, integrada num projeto total de 21 hectares, localizado na União de Freguesias de Teixeira e Teixeiró.
A presidente da autarquia, Ana Azevedo, sublinha que o parecer negativo resulta de uma avaliação técnica detalhada, que aponta para incompatibilidades com a preservação dos valores naturais do território, nomeadamente numa zona classificada como área de conservação Alvão/Marão.
Apesar de reconhecer a importância da transição energética, a autarca defende que esta não deve ser feita “a todo o custo”, alertando para os impactos ambientais, ecológicos e paisagísticos que o projeto poderá causar, incluindo a descaracterização da serra.
O município manifesta, no entanto, abertura para colaborar com a empresa promotora, EnergieKontor, na procura de soluções alternativas que salvaguardem melhor o território, nomeadamente ao nível da localização, dimensão e proteção da fauna e flora.
O projeto tem gerado forte contestação pública, com uma petição a reunir mais de seis mil assinaturas e centenas de participações na consulta pública. Também a FAPAS se manifestou contra a proposta, apontando riscos significativos para o ambiente e para a paisagem.
Segundo o Estudo de Impacte Ambiental, a central teria uma produção anual de cerca de 24,86 gigawatt-hora, com uma fase de exploração prevista de 30 anos.
A decisão da autarquia reforça a posição de que o desenvolvimento das energias renováveis deve ser conciliado com a proteção do património natural e cultural local.