Os óculos gratuitos destinados à observação do eclipse solar total de 12 de agosto esgotaram esta quarta-feira, 5 de agosto, apenas um dia após ter sido feito um reforço de stock, revelou a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

“Eu posso confirmar que neste momento não há nenhuma ótica que tenha óculos disponibilizados”, afirmou à agência Lusa Ivone Fachada, da direção da Ciência Viva. As reservas dos equipamentos gratuitos podiam ser feitas através do portal clubdavisão.pt, que integrava cerca de 660 óticas por todo o país. O stock tinha sido reforçado na tarde de terça-feira, contudo, por volta das 13h30 desta quarta-feira, a disponibilidade já se encontrava totalmente esgotada.

Ivone Fachada indicou não saber se haverá novo reforço de stock, mas aconselhou a população a ir verificando o portal. A responsável referiu ainda que alguns centros de ciência viva estão a disponibilizar óculos através de outras iniciativas, como o Centro de Ciência Viva de Lagos, que oferece 50 óculos na compra de 25 bilhetes de família associados a oficinas. No entanto, admitiu que “nesta fase está a ficar muito, muito complicado arranjar os óculos”.

Certificação ISO e cuidados com câmaras e telemóveis

Quem não conseguir obter a oferta gratuita poderá adquirir óculos próprios para observação em farmácias, supermercados ou lojas online, por um valor a rondar os três euros. A responsável da Ciência Viva alertou para a importância de garantir que os óculos são devidamente certificados, devendo conter a norma ISO 12312-2, a marca CE e a referência ao Regulamento (UE) 2016/425.

Ivone Fachada desaconselhou também a utilização de telemóveis ou câmaras para filmar ou fotografar o fenómeno, uma vez que estes dispositivos não estão equipados com filtros solares apropriados e podem sofrer danos graves devido à luz solar direta.

Fenómeno raro em Portugal

O eclipse solar do próximo dia 12 de agosto terá início por volta das 18h30 e terminará às 20h30. Em Portugal, a fase de eclipse total só poderá ser observada numa zona restrita do Parque Natural de Montesinho, próximo de Bragança. No restante território continental, o eclipse será parcial, com o obscurecimento do Sol a variar entre os 92% e os 99%, enquanto nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira a obscuridade ficará entre os 74% e os 77%.

O último eclipse solar total visível em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo só voltará a acontecer em 2144, o que torna o evento de 2026 um momento histórico e raro para várias gerações.