O Governo português oficializou a certificação do Caminho Português de Santiago – Caminho de Torres – Região Norte como itinerário oficial de peregrinação. A decisão, que abrange uma extensão de 180,49 quilómetros, foi publicada na sexta-feira, dia 12 de junho, em Diário da República (DR).
O traçado agora certificado atravessa um total de 15 municípios do Norte do país: Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tarouca, Lamego, Peso da Régua, Mesão Frio, Baião, Amarante, Felgueiras, Guimarães, Braga, Vila Verde, Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valença. Nos casos específicos de Paredes de Coura e Valença, o percurso funde-se com o já certificado Caminho Português de Santiago Central – Porto e Norte.
A validação deste itinerário contou com a concordância de todas as autarquias envolvidas. De acordo com a publicação oficial, o percurso reúne todas as condições exigidas de segurança, transitabilidade, sinalização, informação e equipamentos de apoio aos peregrinos. O grande objetivo da certificação passa por salvaguardar o património cultural e natural da rota, garantindo em simultâneo a qualidade dos serviços prestados a quem a percorre.
Uma rota repleta de património mundial e marcas medievais
A elevada riqueza patrimonial é o elemento de maior destaque no Caminho de Torres. O itinerário cruza duas zonas classificadas pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade: o Alto Douro Vinhateiro e o Centro Histórico de Guimarães.
Ao longo dos mais de 180 quilómetros, os peregrinos encontram múltiplos testemunhos, materiais e imateriais, que comprovam a passagem de viajantes e a devoção a Santiago desde a época medieval. Entre os pontos de maior interesse histórico e arquitetónico destacam-se:
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A Sé e a Capela de São Sebastião, em Lamego;
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O túmulo de São Gonçalo e a ponte sobre o rio Tâmega, em Amarante;
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O Mosteiro de Pombeiro, em Felgueiras;
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A imagem de Santa Maria de Guimarães e a Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães;
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Os conventos de São Francisco e de São Domingos e a Sé Catedral, em Braga;
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A ponte de Ponte de Lima, reconhecida como um dos símbolos mais icónicos das rotas jacobeias em Portugal.
A antiguidade e o uso contínuo desta rota ao longo dos séculos encontram-se amplamente documentados por investigações académicas, baseadas em registos escritos e vestígios arqueológicos. O nome deste itinerário serve, aliás, de homenagem direta ao relato de Torres Villarroel, o célebre peregrino que documentou a sua viagem por estes caminhos.