Um novo estudo do Banco de Portugal conclui que os trabalhadores estrangeiros têm desempenhado um papel decisivo no reforço da economia portuguesa, contribuindo de forma significativa para o crescimento do emprego e da atividade económica nos últimos anos.

Segundo os dados analisados pelo banco central, a mão de obra estrangeira tornou-se essencial para setores como construção civil, turismo, agricultura, logística e serviços, ajudando a compensar o envelhecimento da população portuguesa e a escassez de trabalhadores em várias áreas.

O Banco de Portugal destaca que o número de trabalhadores estrangeiros registados na Segurança Social atingiu máximos históricos nos últimos anos, tendo sido um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento do emprego em Portugal.

De acordo com a análise “Economia numa imagem”, divulgada pelo BdP, os trabalhadores estrangeiros assumiram “um papel importante na economia portuguesa”, embora uma parte significativa apresente permanências temporárias no país. O estudo estima que cerca de 52% dos imigrantes continuam em Portugal cinco anos após a entrada.

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, já tinha defendido recentemente que os estrangeiros em Portugal “estão a trabalhar” e a desempenhar atividades produtivas fundamentais para o funcionamento da economia nacional.

Apesar do contributo positivo, o banco central alerta também para sinais de abrandamento no crescimento do emprego estrangeiro, fenómeno associado ao endurecimento das regras migratórias e à desaceleração económica registada em alguns setores.

O BdP sublinha ainda que Portugal enfrenta desafios estruturais ligados ao envelhecimento da população e à falta de mão de obra, defendendo um reforço da qualificação profissional, do investimento e da produtividade para garantir crescimento económico sustentável no futuro.