O preço do cacau nos mercados internacionais disparou 150% desde o início do ano e ultrapassou, pela primeira vez, os 10.000 dólares por tonelada nos contratos de futuros em Nova Iorque, alimentando dúvidas entre analistas sobre se o pico já terá sido atingido.
A subida acentuada surge após uma valorização de 60% ao longo de 2024, sendo impulsionada sobretudo por constrangimentos na oferta. De acordo com analistas, a escassez de produção, em particular na África Ocidental — principal região produtora mundial —, tem pressionado as cotações, agravada por condições climatéricas adversas e problemas fitossanitários nas culturas.

Os especialistas destacam ainda a estrutura dos mercados de futuros, onde os preços de curto prazo permanecem superiores aos de prazos mais longos, sinalizando desequilíbrios na oferta. Apesar de a marca dos 10.000 dólares poder representar uma barreira psicológica, não se exclui uma eventual correção, embora a tendência recente continue marcada por forte pressão compradora.
As perspetivas para as próximas colheitas mantêm-se condicionadas, com a possibilidade de um défice global mais elevado, segundo dados da Organização Internacional do Cacau, num contexto em que a produção mundial deverá recuar e a moagem também diminuir.
O aumento dos preços começa já a refletir-se no consumidor final, com os produtores a ajustarem gradualmente os valores dos produtos à base de cacau, o que deverá traduzir-se em chocolates e derivados mais caros.