Os dados revelam que cerca de dois em cada três doentes continuam vivos cinco anos após o diagnóstico, confirmando uma evolução positiva nos resultados do combate à doença.
Apesar da melhoria global, o relatório alerta para desigualdades significativas entre sexos, idades e regiões do país.
Nas mulheres, a taxa de sobrevivência aos cinco anos situa-se nos 72%, enquanto nos homens desce para os 62%.
Segundo a coordenadora do RON e epidemiologista do IPO do Porto, Maria José Bento, estas diferenças estão relacionadas com os tipos de tumores mais frequentes em cada sexo, mas também com fatores comportamentais e de deteção precoce.
Os homens apresentam maior incidência de cancros do pulmão, laringe e cavidade oral, associados a piores prognósticos e a fatores de risco como o tabagismo.
Já entre os tumores com melhores taxas de sobrevivência destacam-se os da tiroide, próstata, mama feminina e testículo, com valores superiores a 90%.
No extremo oposto continuam os cancros do pâncreas, cérebro, esófago e mesotelioma, com taxas de sobrevivência inferiores a 20%.
O relatório evidencia ainda diferenças regionais, com o Norte e o Centro a apresentarem melhores resultados, enquanto a Madeira regista os valores mais baixos de sobrevivência.
A especialista defende que o diagnóstico precoce e o acesso rápido ao tratamento continuam a ser fatores decisivos para melhorar os resultados.
Maria José Bento sublinha também a importância dos rastreios e da adesão da população aos programas de prevenção, dando como exemplo o rastreio do cancro da mama, onde Portugal apresenta indicadores próximos dos países nórdicos.
O relatório reforça ainda a necessidade de reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico e tratamento oncológico e alerta para o impacto do envelhecimento da população, já que os doentes com mais de 75 anos apresentam taxas de sobrevivência significativamente inferiores.