A Região Demarcada dos Vinhos Verdes vai antecipar o início da vindima em cerca de uma semana, prevendo arrancar de forma mais consistente na semana de 24 de agosto. A estimativa aponta para um aumento de 6% na produção, devendo ser atingidos 106 milhões de litros de vinho, revelou esta sexta-feira, 14 de agosto, a presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Dora Simões, em declarações à agência Lusa.
Segundo a responsável, em 2025 a produção situou-se perto dos 100 milhões de litros, perspetivando-se agora uma subida para a denominação de origem. A antecipação do calendário resulta do impacto das alterações climáticas e das condições meteorológicas registadas em 2026, marcado por “bastante chuva” nos primeiros meses do ano e pela reposição das reservas hídricas do solo, o que favoreceu o desenvolvimento vegetativo da videira.
Dora Simões explicou que, apesar de as temperaturas elevadas registadas em junho terem provocado “algum escaldão na região”, o fenómeno “não teve impacto na produção geral”, não se tendo verificado a partir daí novos picos extremos de calor.
Exigências do mercado e saúde da vinha
A par dos fatores climatéricos, a decisão de não protelar o início da colheita alinha-se com a procura do mercado por “vinhos com grau mais baixo, mantendo uma boa acidez”. A presidente da CVRVV salientou que a intenção passa por evitar a sobrematuração e assegurar um “equilíbrio alcoólico bom”. A região beneficia igualmente de uma “quantidade significativa de vinhas jovens”, fruto do processo de reestruturação conduzido na última década, o que assegura constância na produção e qualidade.
Em nota informativa enviada à Lusa, a CVRVV destacou ainda que o ano vitícola foi marcado por um “reduzido registo de pragas e doenças”, condição que “atesta a qualidade das uvas” e perspetiva uma “excelente qualidade” para a campanha 2026/2027.