O Jardim Terapêutico do Serviço de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João, no Porto, foi alvo de uma intervenção de enriquecimento da sua biodiversidade com a introdução de novas espécies de anfíbios. O espaço, considerado pioneiro a nível nacional, funciona como uma ferramenta de reabilitação psicossocial para os utentes e conta com o apoio da autarquia portuense.
A operação de repovoamento do charco, integrada nos programas municipais “Mais Hortas” e “Água com Vida Porto”, resultou na libertação de cerca de uma dezena de exemplares de rã-verde (Pelophylax perezi), o anfíbio com maior distribuição em território nacional. Foram igualmente introduzidos vinte tritões-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai), uma espécie endémica da Península Ibérica que se distingue pelo dorso acastanhado com manchas e pelo ventre de tom laranja vivo.
O momento contou com a presença da vice-presidente da Câmara do Porto, Catarina Araújo, que acompanhou a visita à estufa e à horta terapêutica, onde os próprios utentes do serviço partilharam o trabalho diário de manutenção do espaço. Este jardim, desenhado especificamente para dar suporte às sessões de psiquiatria, inclui árvores frondosas, zonas de repouso, uma área de cultivo e um charco reabilitado com a orientação científica do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR). Toda a manutenção é assegurada num esforço conjunto entre pacientes e funcionários do hospital.

Sublinhando a relevância e a continuidade deste tipo de parcerias, Catarina Araújo destacou o compromisso do município com as iniciativas no terreno. “Esta visita reflete bem a preocupação do atual Executivo de acompanhar o modo como os projetos se desenvolvem no terreno e de desenvolver uma forte proximidade com as equipas que os implementam, ouvindo-as, ajudando-as a ultrapassar as dificuldades e incentivando-as”, afirmou a autarca.
A vice-presidente portuense frisou ainda a necessidade de apoiar estas estruturas a longo prazo: “Projetos como este, com esta transversalidade disciplinar e impacto, não terminam com as suas inaugurações ou assinaturas de protocolos. Exigem acompanhamento permanente e a merecida visibilidade quando estão a correr bem”.
Para a equipa da ULS São João, a evolução do espaço tem representado uma clara mais-valia no suporte ao trabalho clínico diário. A instituição sublinha que o jardim se tem afirmado como um recurso central na promoção da participação ativa dos utentes, fomentando o desenvolvimento de novas competências e o sentido de responsabilidade através de experiências práticas. Ao ligar a vertente da saúde mental à conservação ambiental, o hospital reforça uma abordagem mais humanizada, colocando os pacientes no centro do seu próprio processo de recuperação psicossocial.