A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) determinou o reforço do Estado de Prontidão Especial (EPE) para o nível III do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS), no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR). A decisão baseia-se no previsível “agravamento muito significativo” do perigo de incêndios rurais ao longo dos próximos dias. Numa escala de quatro níveis progressivos, o nível III configura um estado intermédio/alto de alerta que impõe o reforço de meios e a prontidão imediata das equipas operacionais e de socorro para intervenções iminentes ou respostas a situações de catástrofe.
De acordo com as previsões meteorológicas avançadas pela autoridade nacional, o agravamento do perigo de incêndio rural atingirá valores extremos e “particularmente graves” nas regiões do Norte e Centro já a partir da madrugada de quinta-feira. São esperadas temperaturas máximas acima dos 40º Celsius em várias regiões do território continental, valores de humidade relativa do ar inferiores a 30% — com fraca recuperação no período noturno — e vento forte nas terras altas do Norte, Centro, Alto Alentejo e serras do Algarve, com rajadas que podem atingir os 80 quilómetros por hora.
Esta conjuntura meteorológica traduz-se num “perigo de incêndio rural muito elevado a máximo em todo o território continental”. O quadro clínico atual não só favorece a ocorrência e a rápida propagação das chamas, como também aumenta a dificuldade das operações de combate. A ANEPC alertou ainda para o facto de algumas das áreas mais expostas coincidirem com territórios que registam historicamente uma elevada incidência de fogos, o que potencia a “probabilidade de ocorrência de múltiplas ignições em simultâneo”. O cenário poderá manter-se por vários dias, existindo o risco de incêndios de “grande dimensão, longa duração e elevado impacto”, com perigo acrescido para populações, habitações, infraestruturas e espaços naturais.
Em resposta a esta situação, a Proteção Civil acionou o Centro de Coordenação Operacional Nacional para monitorizar permanentemente a atividade operacional. Entre as medidas tomadas contam-se a antecipação do posicionamento de meios de combate em locais definidos de forma estratégica e o reforço do patrulhamento, vigilância e fiscalização nas zonas consideradas de maior sensibilidade. Adicionalmente, foi estabelecida uma articulação permanente entre os Comandos Sub-Regionais, Regionais e Nacional de Emergência e Proteção Civil, os agentes de proteção civil e as entidades cooperantes, procedendo-se ao reforço da prontidão dos meios terrestres e aéreos e ao pré-posicionamento de equipas e grupos de intervenção no terreno.
A autoridade nacional emitiu também um conjunto de recomendações e medidas de autoproteção dirigidas à população:
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Evitar comportamentos de risco, tais como realizar fogo em espaços abertos.
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Abster-se de utilizar equipamentos que possam produzir faíscas ou calor em zonas que contenham vegetação seca.
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Evitar o estacionamento de veículos sobre superfícies com ervas secas.
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Manter a faixa envolvente às habitações totalmente limpa de vegetação e de outros materiais combustíveis.
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Afastar das habitações materiais inflamáveis como lenha, madeiras ou botijas de gás.
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Vedar todas as frestas em telhados, janelas e beirais que possam facilitar a entrada de fagulhas.
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Preparar um plano familiar de emergência e identificar previamente um local seguro para onde se deslocar, caso seja necessário.
Em caso de deteção de um incêndio, as autoridades apelam a que se ligue de imediato para o número de emergência 112, indicando com a maior exatidão possível a localização da ocorrência. A ANEPC adverte expressamente para que os cidadãos não tentem combater o incêndio perante chamas intensas ou riscos para a integridade física, devendo nestes casos afastar-se rapidamente para um local seguro e seguir as instruções indicadas pelas autoridades.