O projeto de execução da linha de alta velocidade (TGV) para o troço que abrange os concelhos de Espinho, Vila Nova de Gaia e Porto confirma a necessidade de várias demolições na zona de Campanhã (Porto) para permitir a expansão da estação ferroviária. Em contrapartida, de acordo com a Lusa, o impacto habitacional no concelho de Gaia será reduzido quando comparado com o projeto anterior.
A proposta atual, que se encontra em consulta pública até ao próximo dia 29 de junho, detalha o mapa de afetações e as soluções de engenharia previstas para a inserção da linha de alta velocidade na Área Metropolitana do Porto.
O impacto das demolições por concelho
O levantamento dos edifícios afetados pelo traçado da linha revela cenários distintos entre os municípios:
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Porto (Campanhã): Mantém-se a previsão de demolições já sinalizadas, incluindo 44 habitações, sete edifícios de atividades económicas (onde se inclui o posto de abastecimento de combustível da Avenida Gustave Eiffel) e três imóveis de outras categorias. Estão em causa dezenas de casas localizadas na Rua da China e nas travessas da Presa da Agra e do Freixo.
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Vila Nova de Gaia: O número de habitações a demolir desceu de 64 para 43, uma redução alcançada devido à decisão de não construir uma estação em Vilar do Paraíso, o que poupa várias casas na zona de Guardal de Cima. No entanto, o impacto nas empresas aumentou, passando de 22 para 37, face ao projeto de outubro de 2025 que tinha sido chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A zona mais fustigada a nível habitacional será Santo Ovídio, com 14 casas, seis empresas e um edifício não identificado afetados. Adicionalmente, registam-se 15 empresas afetadas na zona industrial de São Caetano, nove na zona industrial dos Terços e mais 24 habitações e seis empresas dispersas pelo resto do concelho.
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Espinho e Santa Maria da Feira: Na freguesia de Anta (Espinho), o projeto prevê a afetação de oito habitações e três atividades económicas. Há ainda a registar uma habitação afetada em território de Santa Maria da Feira.
Túneis, pontes e viadutos projetados
A proposta confirma a construção de uma ponte única sobre o rio Douro, uma nova estação em Santo Ovídio (Gaia) e uma passagem superior abrigada em Campanhã.
Para minimizar o impacto à superfície, a linha de alta velocidade em Gaia será maioritariamente subterrânea. Segundo os dados consultados pela Lusa, estão previstas as construções do Túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 quilómetros), dos túneis de Negrelos 1 e 2 (com 995 e 190 metros, respetivamente), do Túnel de Casaldeita (1,9 quilómetros, na fronteira com Espinho) e, mais a sul, do túnel sob a autoestrada A41 (65 metros) e do Túnel de Cassufas (830 metros).
A nível de obras de arte à superfície, além da nova ponte rodoferroviária sobre o Douro, o projeto contempla uma ponte sobre a ribeira de Senhora de Lamas (566 metros) na Feira, uma ponte sobre a ribeira de Silvalde (614 metros) em Espinho, e dois viadutos em Gaia: o da A29 (92 metros) e o da Pedreira das Lajes (439 metros).
Ligação total prevista para 2032
As obras do primeiro troço deste canal de alta velocidade — que ligará o Porto a Oiã (Oliveira do Bairro, Aveiro) no âmbito da primeira parceria público-privada do projeto — deverão arrancar ainda este ano, tendo como prazo de conclusão o ano de 2030.
A linha Porto-Lisboa completa deverá estar totalmente operacional em 2032, permitindo efetuar a viagem entre as duas capitais em 01h15, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria. Para o mesmo ano está programada a conclusão da ligação Porto-Vigo, que contará com estações no Aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.