As autoridades policiais em Portugal apreenderam 42 toneladas de cocaína desde 1 de janeiro deste ano, valor que supera em 17 toneladas o total registado em todo o ano de 2025. O balanço foi apresentado hoje pelo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, durante a cerimónia do 81.º aniversário da instituição, na sede da PJ, em Lisboa.

Na sua intervenção, o responsável sublinhou que se têm alcançado sucessivos recordes no combate ao tráfico de estupefacientes — apontando para 23 toneladas apreendidas em 2024, 25 toneladas em 2025 e 42 toneladas até à presente data em 2026. Carlos Cabreiro destacou que estes números, que agregam as apreensões de todas as forças policiais, refletem a colaboração e coordenação entre os órgãos de polícia criminal, forças e serviços de segurança, contando com o apoio das Forças Armadas em operações em alto mar.

O diretor da PJ enalteceu também a atuação no combate ao crime económico-financeiro organizado e transnacional, detalhando que, no primeiro semestre deste ano, o Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA) identificou 108 milhões de euros em ativos, apreendeu ou arrestou 11 milhões de euros em bens, apurou 60 milhões de euros de património incongruente e respondeu a 313 pedidos de cooperação internacional oriundos de 40 países.

Na sequência das buscas efetuadas pelo Ministério Público na sede e na escola de formação da PJ há cerca de um mês, no âmbito de um inquérito por falsidade de testemunho e abuso de poder em que é suspeito, Carlos Cabreiro reafirmou que a lealdade da PJ para com o Ministério Público é um “valor absoluto”, pautada pela articulação permanente e pelo respeito pela lei e pelos direitos dos cidadãos. A terminar, alertou para o impacto da Inteligência Artificial, defendeu que a justiça “não pode ser escrita em códigos binários” e lembrou que a humanidade “não se programa”.