Uma petição online contra a vedação do Jardim do Morro, em Vila Nova de Gaia, reuniu já mais de 1 000 assinaturas. Os subscritores exigem a suspensão imediata do procedimento anunciado pela autarquia para transformar o local num espaço vedado com horário de funcionamento, bem como a abertura de um processo formal de participação pública sobre o tema.
O plano da Câmara Municipal de Gaia, avançado pelo vice-presidente Firmino Pereira, prevê uma intervenção de 700 mil euros com conclusão estimada para maio de 2027. O projeto inclui a instalação de uma vedação em ferro com dois pontos de acesso, definindo um horário de abertura entre as 08h00 e as 20h00 no inverno, e das 08:00 às 22:00 no verão. O acesso permanecerá gratuito e a intervenção engloba ainda a construção de casas de banho públicas, a ampliação do parque infantil, a recuperação da gruta e a presença de policiamento permanente. O autarca justificou as medidas com queixas de moradores relativas a ruído, consumo de álcool e altercações noturnas no local.
Peticionários apoiam obras mas rejeitam barreira física
No texto do abaixo-assinado, os promotores esclarecem que apoiam as obras de requalificação, a instalação de equipamentos de apoio, o reforço da limpeza e o combate à venda ambulante ilegal e ao ruído. Contudo, manifestam-se contra a “vedação integral” de um espaço público e histórico inaugurado em 1927.
Os peticionários contestam também a forma como a decisão foi anunciada, criticando a ausência de consulta pública, de deliberação fundamentada ou de debate na Assembleia Municipal. Além disso, alertam que a colocação de uma vedação metálica entre a Ponte Luís I e o Mosteiro da Serra do Pilar introduz uma barreira permanente num bem classificado, alterando o enquadramento visual da paisagem do rio Douro.
Oposição pede esclarecimentos
No âmbito político local, o vereador do PS João Paulo Correia já solicitou esclarecimentos à autarquia, defendendo que a intenção de vedar o jardim evidencia que as anteriores medidas de policiamento e de combate à venda ilegal não surtiram o efeito desejado.
Contactada pela Lusa para reagir às críticas e à petição, fonte oficial da Câmara de Gaia remeteu esclarecimentos para um contacto direto com o vice-presidente do município, o qual não foi possível concretizar até ao momento.
Imagem de destaque: Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia