A Fábrica de Cogumelos está a dispensar trabalhadores, dada a modernização da unidade e da consequente automatização nas instalações de Paredes. A empresa garante que está a oferecer aos profissionais “condições muito mais favoráveis”. 

Em comunicado, a produtora de cogumelos afirma que está a fazer de tudo o que for possível para evitar despedimentos. Três dezenas de funcionários já chegaram a acordo com a entidade. A empresa é “obrigada a dispensar a partir de março, devido a automatização da linha de embalamento na unidade”. 

Segundo a empresa, os acordos foram bem acolhidos e suscitaram a adesão de mais 11 trabalhadoras que se voluntariaram a reincidir de mútuo acordo com a empresa. 

“O acordo que estamos a propor aos trabalhadores tem condições incomparavelmente mais favoráveis do que um despedimento coletivo”, afirma Nuno Pereira, CEO do grupo. 

O CEO do grupo refere que esta é “uma consequência” que não desejava, mas que acaba por ser “inevitável, do investimento feito pelos acionistas para modernizar e adaptar a empresa às novas exigências da indústria alimentar”. 

As negociações vão continuar nos próximos dias e a porta para contratualizar mantém-se aberta. 

A CUGA fez uma aposta de três milhões de euros, iniciados em 2025, para qualificar as linhas de produção do grupo que também tem unidades em Vila Flor, no distrito de Bragança, e em Vila Real, adianta. 

Sobre a Fábrica de Cogumelos

A produtora de cogumelos nasce de um investimento realizado há cerca de seis anos pela CoRe Capital para recuperar a história de Varandas de Sousa. Este encontrava-se à beira da insolvência, com salários em atraso e dívidas a fornecedores. 

O fundo foi desenhado para recuperar empresas históricas, com peso relevante nas economias locais do interior do país. 

O Rei dos Cogumelos reativou a produção em Paredes, em 2022 e empregou 50 trabalhadores para a colheita. Acabou por abrir, também, em Vila Flor uma unidade dedicada ao fabrico do composto onde crescem os cogumelos. 

Entre 2023 e janeiro de 2026 a CUGA aumentou os salários dos seus colaboradores em cerca de 30%, mais do que duplicando o impacto da inflação durante os anos em causa, pode ler-se no comunicado. 

“O plano de recuperação da empresa incluiu sempre, ao longo da sua implementação, a manutenção e mesmo o reforço dos postos de trabalho” (…) A automatização da operação de embalagem em Paredes, que é imprescindível ao futuro saudável da empresa, obriga-nos agora a fazer um movimento contrário: é uma última dor de crescimento, necessária para que todo o grupo possa, a seguir, reforçar a empresa e garantir os postos de trabalho de mais de 300 pessoas”, diz Nuno Pereira.