As estradas portuguesas registaram um agravamento severo da sinistralidade desde o início do ano. Entre 1 de janeiro e 18 de junho, o número de vítimas mortais aumentou cerca de 25% em comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, os 70.117 acidentes rodoviários contabilizados resultaram em 227 mortes, segundo os dados provisórios divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

A comparação homóloga revela uma tendência preocupante em quase todos os indicadores, com mais 6.000 acidentes, mais 46 vítimas mortais e mais 31 feridos graves (num total de 1.191) face ao ano passado. Em contrapartida, registou-se uma ligeira descida nos feridos ligeiros, menos 395, fixando-se nos 19.128.

Porto, Leiria e Santarém entre os distritos com mais mortes

A distribuição geográfica das fatalidades coloca a capital no topo da lista, seguida de perto por três distritos com valores idênticos:

  • Lisboa: 32 vítimas mortais

  • Porto: 22 vítimas mortais

  • Leiria: 22 vítimas mortais

  • Santarém: 22 vítimas mortais

Os critérios estatísticos da ANSR para estes dados provisórios contabilizam apenas os óbitos cujo diagnóstico é declarado diretamente no local do acidente ou durante o percurso da ambulância a caminho da unidade hospitalar.

“Visão Zero 2030” entra em consulta pública

A divulgação destes indicadores coincide com o lançamento oficial da consulta pública da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030.

Este plano estrutural define metas muito ambiciosas a médio e longo prazo para o país, pretendendo reduzir em 50% o número de mortes e feridos graves nas vias nacionais até ao final da década (2030), estabelecendo o objetivo final de alcançar a fasquia de zero vítimas mortais no horizonte de 2050.