A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, identificou e deteve um homem de 67 anos de idade, mestre de artes marciais, pela presumível autoria de um crime de coação sexual. De acordo com a autoridade policial, os factos ocorreram no passado mês de maio, no interior de uma escola de artes marciais localizada na cidade do Porto.
A investigação apurou que a vítima tinha participado, na companhia do seu filho menor, numa aula experimental ministrada pelo suspeito. No final da sessão, durante uma conversa com o instrutor, a mulher referiu que padecia de várias patologias que lhe provocavam “grande sofrimento” e que não podiam ser tratadas através de via medicamentosa. Perante este relato, o homem sugeriu-lhe a prática de artes marciais combinada com a realização de “tratamentos alternativos”, proposta que a vítima aceitou, tendo agendado uma sessão.
Na data combinada para o efeito, a mulher foi encaminhada pelo arguido para um gabinete onde, alegadamente, decorreria a massagem terapêutica. Seguindo as instruções que lhe foram dadas pelo mestre, a vítima retirou a roupa, ficando apenas em roupa interior. Na sequência disso, o homem iniciou manobras no corpo da queixosa que, segundo a PJ, a deixaram “bastante constrangida pois atentaram contra a sua liberdade sexual”. O relatório policial detalha que o nível de constrangimento gerado foi de tal ordem que a vítima “não conseguiu reagir aos atos sexuais de relevo de que foi vítima”.
A detenção do mestre de artes marciais foi efetuada fora de flagrante delito através do cumprimento imediato de mandados emitidos pelas autoridades. A PJ justificou a emissão célere destes mandados com base na recolha de prova que “indiciava fortemente o suspeito na prática dos factos ilícitos” e após ter sido ponderado o “perigo manifesto de continuação daquela actividade”. O detido vai agora ser presente a primeiro interrogatório judicial com o objetivo de lhe serem aplicadas as medidas de coação tidas por adequadas, sendo que o inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto.