O número de idosos vítimas de crime em Portugal registou um aumento de 30,5% entre os anos de 2020 e 2025, passando de 33.850 para 44.161 ofendidos. A informação foi avançada pela Direção-Geral da Política da Justiça (DGPJ), através de um boletim que contabiliza os crimes registados pela PSP, GNR e Polícia Judiciária (PJ).
O crescimento do número de lesados na população com idade igual ou superior a 65 anos foi mais acentuado do que nos cidadãos não idosos, cujo aumento se fixou em 19,9%, o que representa uma diferença de 10,5 pontos percentuais entre ambos os grupos. No total acumulado do período de seis anos, as autoridades policiais registaram 1.629.390 vítimas de crimes, das quais 1.391.624 tinham até 64 anos e 237.766 eram idosas, correspondendo este último grupo a 14,6% do total.
Ao longo do intervalo de tempo analisado, o ano de 2020 foi o que apresentou o menor número de vítimas, com um total de 237.677 pessoas, das quais 33.850 eram idosas. Em sentido inverso, o ano de 2023 registou o valor mais expressivo do período, atingindo um pico de 296.945 ofendidos, incluindo 44.125 idosos. No ano de 2025, o indicador fixou-se em 288.632 vítimas no total, sendo 44.161 idosos.
À semelhança da tendência da restante população, a maioria dos ilícitos contra idosos foca-se nos crimes contra o património, categoria onde se inserem os furtos e as burlas. O peso deste tipo de crime no grupo com mais de 65 anos subiu de 65,8% em 2020 para 68% em 2025. Seguem-se os crimes contra as pessoas, tais como agressões e homicídios, que registaram um recuo de 29,1% para 27,5%, e os restantes atos criminosos (contra o Estado, a vida em sociedade, identidade cultural e legislação avulsa), que desceram de 5,1% para 4,5%. O relatório detalha ainda que, apesar de a representação dos idosos no universo total de vítimas ter subido de 14,2% para 15,3% entre 2020 e 2025, este grupo não constitui a maioria dos lesados em nenhuma das categorias criminais.