Há uma probabilidade de os artistas e profissionais da cultura enfrentarem perdas globais de receitas de até 24% nos próximos dois anos. Isto deve-se ao impacto da inteligência artificial generativa, aponta um relatório da UNESCO.

O relatório “Re|Shaping Policies for Creativity”, publicado em Paris, “analisa um panorama cultural em rápida evolução, moldado pela transformação digital, pela Inteligência Artificial (IA), pela alteração das dinâmicas do comércio global e pelo agravamento das ameaças à liberdade artística”, referiu a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. 

O documento destaca as necessidades de políticas mais fortes para proteger os criadores devido ao aumento das desigualdades. A análise juntou dados de mais de 120 países sobre o setor cultural e criativo. 

Os criadores da música podem sofrer receitas de 24% e os do setor audiovisual, 21% até 2028. Nos dias de hoje, as receitas digitais representam 35% do rendimento dos criadores. 

A organização alerta, também, para o financiamento público direto para a cultura. Este permanece abaixo de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) a nível global e que continua a decrescer. 

O relatório mostra que nos países desenvolvidos 67% das pessoas detêm competências digitais essenciais, enquanto os países em desenvolvimento ficam nos 28%.