Uma família de Ovar pediu aos convidados de um funeral para trocar as flores por donativos. O funeral solidário acabou por resultar na renovação de uma varanda no Hospital Santos Silva, em Vila Nova de Gaia. 

Funeral Solidário transformou varanda hospitalar de Gaia | Foto: DR

O projeto foi criado depois da morte de Liberto Almeida, marido de Natália Moreira. O homem de 59 anos foi vítima de cancro do pulmão e frequentava a unidade hospitalar durante os internamentos. 

Natália Moreira revelou à Lusa que, sempre que possível, usufruia do terraço para estar algum tempo ao ar livre e espreitar a linha do mar ao longe.  

Nos últimos tempos cuidámos dele em casa, conversámos muito – sobre tudo – e ele disse-nos que achava uma estupidez todo o dinheiro que se desperdiçava em flores num funeral”, conta a viúva à Lusa. “Por isso, quando aconteceu, pedimos nos convites que, em vez de flores, nos oferecessem um valor simbólico para converter em algo que proporcionasse aos doentes do hospital um bocadinho mais de conforto”, recorda.

No dia do funeral, os donativos acumularam-se “num pote que não deixava ver o valor com que cada pessoa contribuía”. O valor conseguido rondou os quatro mil euros. Com esse orçamento, a filha do casal, Sara, efetuou um projeto esplanada-jardim sujeita a avaliação dos diretores do hospital. 

A proposta foi aprovada e os outros dois filhos, João e Manuel, e o genro Max,  juntaram-se a Sara. Foi com os tempos livres destes que a varanda transformou-se. A transformação durou mais de um ano e meio até ficar concluída e envolveu outras doações materiais de amigos. 

A varanda de 50 metros quadrados tem, agora, floreiras e vasos por todo o lado. Os utentes internados em em Pneumologia e Cuidados Paliativos podem regar e tratar com os utensílios que a família Moreira deixou no local, para propiciar momentos de distração e terapia.

Varanda durou cerca de um ano e meio até estar concluída a transformação | Foto: DR

Unidade Hospitalar de Vila Nova de Gaia compactou com projeto 

Varanda com benefícios terapêuticos para doentes | Foto: DR

A diretora de Pneumologia da Unidade Local de Saúde Gaia e Espinho, Margarida Dias, que integra o Hospital Eduardo Santos Silva, reconhece que foi “a generosidade da família e dos amigos” de Liberto Almeida que permitiu “transformar um gesto de memória numa melhoria que hoje beneficia todos os que passam pelo serviço”.

Margarida Dias acredita que a renovação “representa uma melhoria importante nas condições de internamento” dos doentes. “O acesso a um espaço exterior, com luz natural e ar livre, não só é um complemento importante no processo de recuperação mas também passará a integrar o processo terapêutico de muitos doentes respiratórios, permitindo momentos controlados de reabilitação, pausa e contacto com o exterior durante o internamento”, referiu à Lusa.

A família avançou com um dos últimos desejos do marido, por isso, mostra-se satisfeita, apesar da saudade e memórias que reavivou. 

(Lusa)