A venda de livros em Portugal sofreu uma queda de quase 2% no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), esta é a primeira contração que o setor regista desde a crise da Covid-19, interrompendo um ciclo de quatro anos de crescimento sustentado.

A quebra verificou-se mesmo coincidindo com a realização da Feira do Livro de Lisboa, um dos principais motores do mercado livreiro nacional.

O mercado em números

Os dados auditados pela entidade independente GfK revelam o comportamento do setor entre abril e junho:

  • Unidades vendidas: Foram comercializados 3.260.088 livros, o que representa menos 17.869 exemplares (-1,9%) do que em 2025;

  • Faturação: O mercado gerou um encaixe de 47,2 milhões de euros, sofrendo uma perda de cerca de 431 mil euros (-1,8%);

  • Preços estáveis: Ao contrário de anos anteriores, a quebra não se justifica pelo aumento do preço do livro, que estabilizou e cresceu uns residuais 0,1%.

Onde e o que compram os portugueses?

As livrarias especializadas continuam a ser o canal favorito, valendo 70,7% dos livros vendidos e retendo quase 80% da receita total. Os hipermercados representam os restantes 29,3% das unidades vendidas.

No que toca aos géneros mais procurados, a literatura infantojuvenil lidera em volume (36,7% dos livros vendidos), seguida de perto pela ficção (34,1%) e pela não-ficção (25,6%). No entanto, devido ao preço médio mais elevado, é a ficção que garante a maior fatia financeira ao setor, representando 39,2% do valor total faturado.

Perante estes sinais de alerta, que coincidem com uma tendência de inflexão na leitura a nível europeu, o presidente da APEL, Miguel Pauseiro, já veio defender a necessidade urgente de uma estratégia nacional focada no livro e na literacia.