O coração de D. Pedro IV, guardado no mausoléu da Igreja da Lapa desde os anos 1930, vai estar “excecionalmente exposto ao público” nos dias 25, 26 e 27 de setembro. A iniciativa, anunciada esta quarta-feira pela Irmandade da Lapa, propõe um “percurso evocativo pelos momentos decisivos da vida do monarca”.
Recordando que “há quase dois séculos, um rei deixou ao Porto aquilo que tinha de mais precioso”, a instituição lança o repto aos visitantes: “Mas, por que razão quis D. Pedro que o seu coração permanecesse no Porto? Que relação tão profunda o unia à cidade? E que história se esconde por detrás deste extraordinário legado? Em setembro, a Irmandade da Lapa convida a descobrir essa história.”
A doação do órgão resulta da cumplicidade criada entre o rei e a população durante o Cerco do Porto (1832-1833), num ato que o historiador Ribeiro da Silva classificou como “um gesto único na história de Portugal”. A raridade destas exibições justifica-se pelo estado de conservação da relíquia, por ser “um órgão muito frágil”, razão pela qual a Ordem procura que o mausoléu se abra “o menos possível”.
A mostra terá lugar na Casa da Irmandade – Galeria dos Retratos, espaço que será alvo de uma intervenção de reparação e impermeabilização no teto, com um apoio financeiro da Câmara do Porto no valor de 2.550 euros.
A Irmandade da Lapa resume o evento como “uma história de coragem, lealdade, guerra e liberdade, uma história entre um rei e uma cidade e uma história que permanece viva no coração da Lapa”.

Fotografia: Guilherme Costa Oliveira.