Um homem em prisão preventiva negou esta segunda-feira, 28 de setembro, no início do julgamento no Tribunal de São João Novo, no Porto, qualquer envolvimento numa rede que se fazia passar pelo cantor de música popular Zé Amaro para burlar uma mulher em pelo menos 150 mil euros.
Perante o coletivo de juízes, o arguido afirmou desconhecer o artista e garantiu não ter conhecimento de páginas falsas nas redes sociais. “Não conheço essas páginas de Instagram falsas, nem sei de quem são”, referiu, sustentando que os factos descritos na acusação não correspondem à verdade.
Segundo o Ministério Público (MP), os suspeitos monitorizavam redes sociais à procura de vítimas e abordaram a mulher, de 65 anos, na altura emigrante na Suíça, por ser fã do cantor. Entre 2022 e 2025, a vítima trocou diariamente centenas de mensagens com um homem que julgava ser o artista e com quem acreditava manter uma relação amorosa. Ao longo de três anos, a mulher entregou pelo menos 150 mil euros através de transferências bancárias, compra de criptomoedas e entregas em mão a alegados estafetas. O MP indica ainda que os suspeitos simularam uma videochamada do cantor com recurso a inteligência artificial.

Imagem de destaque: Facebook de Zé Amaro
Em tribunal, o arguido explicou que, à data dos acontecimentos, vivia em França e trabalhava como motorista TVDE. De acordo com o seu depoimento, deslocou-se a Portugal para receber o pagamento da venda de um automóvel, tendo o comprador indicado que o valor seria entregue em mão por uma mulher no Aeroporto do Porto. O homem adiantou que, em outubro de 2025, recolheu a embalagem no aeroporto e foi detido de imediato, assegurando que só nesse momento percebeu ter sido envolvido num esquema e que teria apresentado queixa se soubesse da burla.