Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrentam tempos de espera de cerca de seis meses para conseguir a primeira consulta de psicologia, assim como intervalos de vários meses entre sessões. O alerta foi deixado esta sexta-feira, 4 de setembro, pela bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Sofia Ramalho, a propósito do Dia Nacional do Psicólogo.
Em declarações à agência Lusa, a responsável sublinhou que a demora agrava o estado de saúde dos doentes e penaliza os serviços e o financiamento da saúde, ao permitir que problemas de fácil resolução evoluam para quadros mais gravosos.
Situação no SNS, escolas e setor social
Após reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ficou previsto a colocação de 300 psicólogos nos cuidados de saúde primários até dezembro. Atualmente, o SNS conta com 1.200 profissionais (cerca de 500 nos centros de saúde, 500 nos hospitais e os restantes em projetos públicos). Para a bastonária, a subida para 800 psicólogos nos centros de saúde é “claramente insuficiente” para responder a uma população de 11,5 milhões de pessoas.
No âmbito escolar, trabalham cerca de 1.200 psicólogos que enfrentam “enorme precariedade” através de renovações contratuais sucessivas. Decorre atualmente um concurso do Ministério da Educação, Ciência e Inovação para a vinculação de 758 psicólogos aos quadros até novembro, assegurando pelo menos um profissional do quadro por agrupamento e um por cada 796 alunos.
Em relação ao setor social (como lares, apoio a toxicodependentes, vítimas de violência doméstica e migrantes), a Ordem aponta a instabilidade dos financiamentos a curto prazo e os salários ligeiramente acima do salário mínimo nacional (920 euros) como principais entraves à fixação de profissionais, defendendo um modelo de financiamento permanente via Orçamento do Estado.