A Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária participou numa operação conjunta internacional visando a rede extremista “The Com”. A ação foi coordenada pela unidade da Europol especializada na deteção de conteúdos terroristas online (EU IRU) e pelo Centro de Inteligência Contra o Terrorismo e o Crime Organizado (CITCO), de Espanha, resultando na referenciação de cerca de 4 340 links (URL) associados ao extremismo violento niilista.

A intervenção decorreu durante os meses de junho e julho e envolveu autoridades de nove países: Portugal, Espanha, Bélgica, Finlândia, Hungria, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos e Suécia. O objetivo passou por desmantelar o ecossistema digital do grupo, travar a propaganda, abrir novas linhas de investigação e alertar as plataformas para a presença destes materiais.

Conteúdos graves e foco no Telegram em Portugal

As autoridades alertam para a elevada gravidade do material sinalizado, que inclui imagens e vídeos de automutilação, suicídio, abuso sexual de crianças, crueldade contra animais e agressões violentas, além de manuais para fabrico de explosivos, homicídio e aliciamento. A PJ assinala que, no contexto desta rede, os menores surgem frequentemente tanto no papel de vítimas como no de agentes.

Em território nacional, a UNCT referenciou 132 conteúdos de extremismo violento niilista, todos detetados na plataforma Telegram. De acordo com a PJ, é nesta aplicação que se concentra a vertente mais severa da rede, através de fóruns privados e salas de conversa para onde as vítimas e potenciais membros são direcionados após uma triagem inicial efetuada em redes sociais abertas.

A deteção dos conteúdos em Portugal foi possível através de metodologias de monitorização proativa e recolha de informação em fontes abertas (OSINT).