A humanidade esgotou esta quinta-feira, 30 de julho, a totalidade dos recursos biológicos que a Terra é capaz de regenerar durante o ano de 2026. A partir desta data, o planeta entra formalmente em défice ecológico, recorrendo a recursos que deveriam ser salvaguardados para anos futuros, alerta a associação ambientalista ZERO.
Embora o Dia da Sobrecarga do Planeta (Overshoot Day) ocorra cerca de uma semana mais tarde do que em 2025 (24 de julho), a ZERO esclarece que a alteração não se deve a uma redução real do impacto humano. A variação decorre de uma revisão científica nos conjuntos de dados utilizados para o cálculo deste indicador (concretamente uma reavaliação em alta da capacidade de absorção de carbono por parte dos oceanos). Em termos práticos, a pressão ambiental e o fosso entre a pegada ecológica e a biocapacidade continuaram a aumentar no último ano.
Impactos acumulados e estagnação da última década
A organização aponta eventos recentes como as vagas de calor extremo, os incêndios de grande dimensão no Mediterrâneo e na América do Norte, as secas agrícolas e as cheias intensas como provas dos custos humanos e económicos do défice ecológico.
Apesar de a tendência histórica desde os anos 1970 evidenciar uma antecipação progressiva da data, a última década tem registado uma estagnação relativa: a sobrecarga foi assinalada a 3 de agosto em 2013 e a 2 de agosto em 2023. A ZERO adverte, contudo, que mesmo sem grandes oscilações no calendário, a acumulação de anos sucessivos em défice agrava os danos sobre os ecossistemas.
Propostas de intervenção e transição de modelo
Para adiar o recurso ao “cartão de crédito ambiental”, a ZERO defende a implementação urgente de medidas globais de mitigação. A associação estima que a aplicação de uma taxa mundial de 90 euros por tonelada de carbono às emissões de gases com efeito de estufa permitiria adiar a data em 63 dias. Por outro lado, a redução de 50% no consumo global de carne, acompanhada da substituição por dietas de base vegetal, adiaria o indicador em 17 dias (10 dos quais decorrentes da redução de emissões de metano).
Frente aos limites finitos do planeta, a associação apela à transição para um modelo focado na “Economia do Bem-Estar”, visando garantir a sustentabilidade das atividades humanas e a proteção das gerações futuras.