A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, desencadeou uma ação policial que resultou na detenção de 12 homens. A denominada “Operação JET LAG” visou suspeitos dos crimes de associação criminosa, branqueamento e burla qualificada por meio informático, permitindo pôr termo à atividade de uma organização que operava pelo menos desde 2021.
De acordo com o comunicado da PJ, a organização apresentava “uma matriz de autêntica rede de natureza transnacional”. O grupo dedicava-se à prática do crime de branqueamento associado a operações ilícitas cometidas maioritariamente em Portugal, França, Espanha e Bélgica. Estas atividades eram concretizadas através da “prática sistemática de burla qualificada, acesso ilegítimo e falsidade informática”, crimes dos quais resultavam as vantagens posteriormente branqueadas. No topo da estrutura encontrava-se um cidadão de nacionalidade portuguesa, residente na Bélgica, que se deslocava regularmente a território nacional para operacionalizar o processo.
Para a execução dos crimes, o líder contava com o apoio de elementos fixos em Portugal e de “money mules”. Estes indivíduos eram recrutados para constituir uma arquitetura societária deliberadamente concebida como “veículo de passagem, destinado a dissipar as vantagens ilícitas”. A rede operava através de um ciclo de execução por estados, numa lógica “just in time”, necessitando por isso de um recrutamento constante de colaboradores para corporizarem as supostas estruturas societárias. Numa fase posterior, os fundos eram transferidos para países como a Lituânia, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Espanha e Suécia, configurando uma estratégia de fragmentação internacional para prevenir apreensões judiciais.
No decurso da operação, as autoridades procederam à apreensão de duas viaturas de alta gama, documentação relevante para a investigação e 19 contas bancárias nacionais. Atualmente, encontram-se em investigação movimentos financeiros fraudulentos estimados em 17 milhões de euros. Até ao momento, foram já identificados lesados num montante de dois milhões e quinhentos mil euros, tratando-se, em todos os casos, de sociedades com sede fora de Portugal.
Os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e 60 anos, são todos portugueses. Os 12 homens vão ser presentes a interrogatório judicial para a aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.