A nova fábrica de montagem de comboios da Alstom em Matosinhos, no distrito do Porto, vai custar 28,6 milhões de euros e estará concluída num prazo de dois anos. Os valores e os prazos foram avançados pelos responsáveis da Alstom Portugal e da construtora DST, durante a sessão oficial de lançamento da primeira pedra. O evento contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e do presidente da CP – Comboios de Portugal, Pedro Moreira.
O empreendimento consiste num complexo industrial de 20.000 metros quadrados que será edificado pela DST em terrenos anexos às atuais oficinas da CP em Guifões. De acordo com o presidente da construtora, José Teixeira, a obra deverá mobilizar “500 trabalhadores no pico” dos trabalhos de construção, existindo a intenção por parte da empresa de antecipar o prazo de execução fixado em dois anos. Na cerimónia, o empresário defendeu que “nem tudo tem de estar na mão do Estado”, apontando o papel social e a inovação das empresas privadas, e assegurou que a DST está preparada para executar qualquer obra ferroviária, incluindo a alta velocidade (TGV).
Quando a unidade estiver totalmente operacional, a Alstom prevê a criação de cerca de 300 postos de trabalho diretos e aproximadamente 1.000 empregos indiretos ligados à atividade industrial. A estimativa da multinacional francesa é que o primeiro comboio saia da linha de montagem em 2029, seguindo-se um ritmo de produção regular de “três comboios por mês”. David Torres, responsável da Alstom Portugal, justificou o investimento de longo prazo no país devido à sua posição estratégica, ao talento dos profissionais locais, à estabilidade das instituições e à solidez dos planos de investimento demonstrados.
A construção desta fábrica decorre do aditamento ao contrato assinado entre a CP, a Alstom e a DST, que expandiu a encomenda inicial de 117 comboios para um total de 153 unidades (mais 36) e antecipou os prazos de entrega. Com esta alteração, o valor global do contrato aumentou de 746 milhões de euros para 1.064 milhões de euros, com a despesa distribuída entre os anos de 2025 e 2031. A unidade de Matosinhos será responsável pelo fabrico de 81 automotoras destinadas aos serviços suburbanos de Cascais, Lisboa e Porto, sendo as restantes 72 unidades produzidas em Barcelona. Segundo dados do Ministério das Infraestruturas, as novas composições serão constituídas por três carruagens, com capacidade para 450 passageiros, acessos sem degraus, ligação wi-fi e espaços próprios para cadeiras de rodas e bicicletas.
O presidente da CP, Pedro Moreira, sublinhou que a nova fábrica simboliza o investimento e a visão a longo prazo num setor essencial para a mobilidade sustentável e indispensável para que Portugal atinja as metas de redução de gases de efeito de estufa. O panorama de renovação da frota ferroviária nacional inclui ainda a receção em curso de 22 automotoras para o serviço regional, encomendadas à Stadler, bem como a recente aprovação, por parte do Governo, de uma despesa de 584 milhões de euros para a aquisição de até 20 comboios de alta velocidade destinados a circular nos futuros eixos Lisboa-Vigo e Lisboa-Madrid.