Uma operação conjunta desenvolvida pela Polícia Judiciária (PJ) e pela Guardia Civil espanhola permitiu desmantelar uma rede criminosa de cariz familiar dedicada ao tráfico de seres humanos para efeitos de exploração laboral. A intervenção policial, batizada de Operação “Mãos Livres”, culminou na detenção de cinco pessoas em Portugal e em Espanha, além de ter permitido o resgate de dois homens que eram mantidos em situação de exploração há várias décadas.

De acordo com o comunicado emitido pela Polícia Judiciária, as duas vítimas foram libertadas do domínio dos suspeitos numa primeira fase da operação, realizada em março de 2025, na zona de Burgos, em Espanha. À data da libertação, os homens encontravam-se subjugados pelo grupo há 15 e 30 anos, respetivamente, tendo a PJ revelado que a vítima mais velha chegou a ser transacionada entre os elementos da própria rede como se de uma mercadoria se tratasse.

O ‘modus operandi’ deste grupo consistia em recrutar cidadãos em território português que se encontrassem em situação de especial vulnerabilidade, carência económica ou exclusão social. Posteriormente, a rede funcionava como intermediária no fornecimento dessa mão-de-obra a empresários em Espanha para a realização de trabalhos agrícolas pouco qualificados. Os suspeitos controlavam as vítimas sob constante coação, obrigando-as a viver em condições deploráveis de habitabilidade e alimentação, e apropriavam-se da quase totalidade dos salários pagos pelos empregadores. Para dificultar a atuação das autoridades, os exploradores utilizavam a identidade dos cidadãos traficados para os inscrever na Segurança Social espanhola, elaborar contratos de trabalho, obter prestações sociais, abrir contas bancárias e registar viaturas em seu nome.

As cinco detenções ocorreram de forma faseada entre o passado dia 23 de junho e o dia de hoje, 29 de junho. Em Espanha, foram detidos três indivíduos, com idades entre os 32 e os 35 anos, ao abrigo de mandados de detenção europeus emitidos em articulação com o EUROJUST. Estes três suspeitos foram presentes à Audiência Nacional, em Madrid, com vista à sua extradição para Portugal. Em território nacional, as autoridades detiveram dois homens, de 54 e 56 anos — um dos quais já com antecedentes criminais por crimes da mesma natureza —, que serão ainda presentes a tribunal para aplicação das respetivas medidas de coação. O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra e as diligências realizadas em Espanha permitiram ainda recolher provas adicionais e apreender dois imóveis e saldos bancários pertencentes ao grupo.